Autor Tópico: O Pastoreio do Boi  (Lida 2852 vezes)

Offline kunti

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O Pastoreio do Boi
« em: Maio 07, 2008, 12:39:06 pm »
Em tempos li na  Revista  Planeta  Um texto (com  imagens),
intitulado : O Pastoreio do Boi .
Emprestei a revista, e adeuzinho.
Na internet encontra-se com as imagens.

              Procurar em : pesquisa  Google  -  O pastoreio do Boi.

Há duas versões, de que gosto. 
Vejam as duas , e as imagens.
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Este texto serve de apoio a;
Partilha de Pensamentos - (apenas isso)
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A fábula do pastoreio do boi é uma sequência de imagens bastante representativa do Zen Budismo na China (Chen). Simboliza a busca e o controle do homem sobre seu ego / duplo / desejos (o boi).


Na primeira imagem vemos um jovem à procura de capturar um boi selvagem na floresta. Mas o jovem encontra-se perdido, pois ele é um boiadeiro sem boi, ou seja, é alguém que busca algo que não sabe se vai encontrar, ou se estará preparado para a tarefa de pegar o boi. Ele se sente inseguro, vazio, e vaga a esmo pela floresta. Depois de muito andar, ele encontra marcas no chão que indicam o caminho para o boi. O jovem então faz silêncio, aguça os sentidos e se harmoniza com o ambiente, para poder ouvir qualquer ruído que leve ao boi.
E então ele o vê ao longe, de relance, por entre as árvores. Quando corre até o boi, o perde de vista na densa floresta; Ele continua procurando, o vê novamente muito rapidamente, e o perde quanto mais se embrenha na floresta atrás dele. Até que ele consegue sair da floresta para o campo aberto e vê que o boi não se moveu do lugar onde estava pastando tranquilamente. O jovem é que, na ânsia de pegar o boi, acabou correndo sem rumo pela floresta.

 
Então ele joga uma corda para amarrar o boi, que obviamente não quer saber de ser preso. O jovem tenta controlá-lo, o boi escapa, ele volta a pegá-lo, e pra isso ele tem de se mostrar cada vez mais duro para com o boi, tendo de usar o chicote.




Ele consegue domá-lo. Obviamente o boi está aborrecido, ambos estão cansados da luta, e o boi deixa-se guiar pelo nariz, bufando, mas seguindo cada passo do rapaz, que não relaxa a corda nem por um minuto, mesmo estando extremamente cansado.





Os dias se passam, o boi fica menos arredio, mas o boiadeiro, desconfiado, ainda o mantém amarrado a uma árvore, primeiro com pouco espaço pra se mover, depois com mais corda, e por fim, sem corda alguma.




 
O boi já está dócil, segue seu dono, que vai à frente despreocupado. O jovem sente uma alegria indescritível. Ele se sente completo: Boiadeiro e boi reunidos. Ele domou o animal, ele venceu! Recuperou o que nunca tinha perdido, que é sua liberdade, e conquistou o que era seu por direito: Sua força, seu boi.




 
São tempos felizes que se seguem, mas, um belo dia o boiadeiro acorda e seu boi não está mais lá no pasto. Sua paz permanece inalterada, sua felicidade também, e o jovem reconhece que não precisava do boi para permanecer naquele estado. Ele era o que era, com boi ou sem boi. A corda e o chicote estavam jogados há muito num canto da casa. Não havia motivo para segurá-lo, e nem há agora, muito menos, pra recuperá-lo. O jovem vê que, assim como o boi era uma muleta, uma referência, um objetivo, ele mesmo o é.




 
Nesse ponto, já não há mais boi, boiadeiro, corda ou chicote; a dualidade e as ferramentas evolutivas foram embora; a mente está completamente clara e tudo o que resta é o NADA.
Mas mesmo o NADA é uma ilusão, e por isso deve cessar. Então, o jovem permanece com a mente inamovível, vendo que as águas são azuis e as montanhas verdes, mas sem se identificar com elas; ("Olha, os riachos correm... pra onde, ninguém sabe. Olha as flores vivamente vermelhas... mas, para quem são elas?").




 
Na décima e última imagem o jovem regressa ao mercado (ao mundo) com um largo sorriso, livre de tudo, vendo VIDA em tudo (até nas árvores mortas) pondo todo o seu ser em tudo o que faz, porque não pretende com isso obter nenhum benefício.

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Não fiquem fascinados pelo final da história. Não dá pra abandonar de vez o homem e o boi enquanto um ainda está montado e dependente do outro. O que quero passar aqui é que VOCÊ NÃO É O BOI. O jovem ficou tão dependente de uma razão para justificar sua existência (boiadeiro) que precisou desesperadamente de um boi, uma força motriz que o impulsionasse, o completasse. Você não é seu corpo, sua personalidade, seus desejos, suas emoções. E ao mesmo tempo É, enquanto você se identificar com o boi, enquanto você PRECISAR dele (e todos nós que estamos aqui ainda precisamos do nosso corpo, de nossos sentidos, motivações e emoções). E, depois de SENTIR que não é o boi, vai ter de aprender a sentir que TAMBÉM não é o boiadeiro. Mas, uma coisa de cada vez.

Então, vamos seguir os passos da parábola:

1- Precisamos primeiro trazer o boi de volta para o dono, ou seja, mostrar que você não é guiado por seus desejos, seus sentidos, que pode resistir a um pedaço de pizza ou a um rostinho bonito, se essa NÃO for sua meta. Essa auto-superação foi bastante assimilada pelos orientais, que não deixam o sono, a impaciência, o medo ou mesmo a razão interferirem com suas metas. E por isso (porque não há o impossível pra quem quer) é que o Japão é o que é.
2- Não é o boi que está perdido, e sim o jovem que SE PERDEU quando foi na floresta buscar um boi que nem sabia que se existia. E, quando o encontrou, se completou (se perdeu pra se achar).
3- Não vá com muita sede ao pote quando começar a ver o boi, ou vai acabar se perdendo no primeiro caminho que você ver. Medite e concentre-se em primeiro saber ONDE EXATAMENTE o boi está e ache o MELHOR caminho pra você ir até ele.
4- A luta com o boi é o confronto com sua dualidade. Neo contra Smith. O boi é muito mais forte, mas você tem a corda e o chicote para conseguir seus objetivos, para domar suas inclinações contrárias, através das limitações e da dor.
5- Uma vez que o boi esteja perfeitamente domado, você não vai precisar se preocupar com ele. Aí então poderá relaxar e esvaziar sua mente, e se preparar para entrar no estágio Búdico, que é a iluminação, a fusão com o seu oposto (LUZ, como na união de Neo e Smith). E, logo após, um retorno ao mundo (Matrix), que já não é o mesmo, embora seja o mesmo, mas desta vez com o boiadeiro (Neo) INTEGRADO a ele.

Há um ditado que diz que "não se pode botar os carros na frente dos bois". Isso é adaptado do conceito Budista do boi ser rústico, ignorante, mas FORTE, ÚTIL ao trabalho do boiadeiro, uma força motriz, se bem direcionada. É entendendo melhor o símbolo do boi que entendemos AINDA melhor este ensinamento de Buda:

"Nós somos o que pensamos. Tudo o que somos emerge com os nossos pensamentos. Com os pensamentos fazemos o mundo. Se falares ou agires com um espírito impuro, os problemas seguir-te-ão, como a roda segue o boi que puxa a carroça. Se falares ou agires com um espírito puro, a felicidade seguir-te-á como a tua sombra, constantemente."
(Buda)
Referência: A parábola no texto Chinês, do Sec. XII

Budismo -


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Uma "tia"  uma vez disse-me :  Nós somos aquilo que comemos !!!

Este  "eu" disse :  Nós somos  aquilo que pensamos !!! 

Ela  disse : Há, Foi  o SR: DR.  TAL  que disse !!!  ( da Cidade de Níver)
Ainda lhe disse : SE é "isso" que a Tia "pensa",  É isso que é)

Imaginei-me em cada uma das situações:
Um Ser Pensante  Ou  :  Um saco de batatas.

Nessa altura já conhecia um pouco  da doutrina de Budha.
        ( Nós somos o que pensamos.)

Hoje com um melhor conhecimento da Mente , creio em CRISTO !!!

«Eu Sou»  :  A LUZ  do Mundo !!!!
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Mais uma vez a Triologia :
Entre o Profano e o Cósmico , o Mistico.
Aqui o Místico , são os vários graus de evolução humana. (a escada de Jacob ?)
Todos temos um grau relativamente certo/errado de compreensão.
Também não somos a Mente ! ( A Mente, mente constante/mente)
Com todo o respeito, por
os Mensageiros da Doutrina Do CRÍSTO CÓSMICO !
Como entender o Catedrático, sem o professor primário e o do liceu ?
Todos estamos no Caminho!

Namasté

                             Kunti

Offline kunti

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Re: O Pastoreio do Boi
« Responder #1 em: Julho 15, 2015, 22:07:27 pm »


                         Os dez touros do Zen - Osho




"Apascentar o boi é um símbolo antigo na história do Zen.
Há dez figuras na China;(...) Gostaria que você entendesse essas dez figuras.

As dez figuras são imensamente bonitas.

Na primeira, o boi está perdido.
 O homem a quem o boi pertence está apenas parado,
olhando em volta na mata densa e não consegue ver para onde o boi foi.
Ele está simplesmente desnorteado, confuso.
Está ficando tarde, o sol está se pondo;
logo será noite e, então, entrar naquela floresta fechada
para procurar o boi vai ficar cada vez mais difícil.


Na segunda figura, ele encontra as pegadas do boi.
Ele se sente um pouco mais feliz;
quem sabe haja uma possibilidade de encontrar o boi - ele achou as
pegadas. Ele as segue.Na terceira figura, ele vê a parte de trás do boi na mata densa.
É difícil enxergar, mas ele consegue imaginar que é a parte traseira do seu boi.

Na quarta, ele chegou até o boi; ele pode ver o boi agora, o corpo dele inteiro.
Ele se alegra.

Na quinta figura, ele pega o boi pelos chifres.
É uma grande luta levá-lo de volta para casa, mas ele vence.

Na sexta figura, ele está montado no boi, voltando para casa.
 Essas são belas figuras!
Na sétima figura, o boi está amarrado em seu lugar.

Na oitava figura, o homem está tão contente que começa a tocar flauta.

A nona figura é uma moldura vazia - não há nada pintado ali.

Na décima figura, que é a causa de uma grande controvérsia, o homem está indo,
com uma garrafa de vinho, em direção ao mercado, quase bêbado.
Dá para perceber, ele nem consegue andar.
Essa décima figura causou uma grande controvérsia que se estendeu por dois mil anos.

Uma seita, que é a maior seita mahayana, acredita que a nona seja a última figura.
 Ela representa a não-mente; você atingiu o objetivo.
O boi é o seu eu mais interior que você tinha perdido,
e a série inteira de figuras é a busca do seu eu interior.
Você encontrou o eu na nona figura.
O silêncio e a paz são imensos.
É o nirvana, é a não-mente.

Além da nona...
as pessoas que dizem que esse é o fim da jornada
acham que alguém acrescentou a décima figura,
que parece ser absolutamente irrelevante.
Mas as pessoas que pertencem a uma pequena seita zen acreditam na décima figura também.
Elas dizem que, quando alguém se tornou iluminado, esse não é o final.
 Esse é o ponto mais elevado da consciência, é o maior feito,
mas é preciso voltar para o mundo humano, ao mundo comum.

É preciso voltar a fazer parte da humanidade maior.

Somente então ele pode partilhar, somente então ele pode despertar os outros para a busca.
E certamente quando ele chega de tal altura, ele está absolutamente inebriado de êxtase.
A garrafa de vinho não é de um vinho comum.
Ela simboliza um estado de êxtase.

Quando as figuras foram levadas para o Japão,
há uns mil e duzentos ou mil e trezentos anos, só chegaram nove.
A décima causava certo incômodo;
ela foi deixada na China.

Eu fiquei perplexo quando olhei pela primeira vez as figuras japonesas.
Elas pareciam estar completas. Uma vez que tenha alcançado o nirvana,
o que mais pode haver?
E então eu descobri dez figuras num velho livro chinês.

Fiquei imensamente feliz pelo fato de que alguém, dois mil anos atrás,
 tinha tido a percepção de que um buda não é um buda
se ele não puder voltar à humanidade comum,
se ele não puder tornar-se de novo simples, inocente, levando seu nirvana,
levando seu êxtase numa garrafa de vinho,
completamente inebriado com o divino, mas ainda se dirigindo ao mercado.

Pude perceber que quem quer que tenha pintado a décima figura estava certo.
Até a nona, é apenas lógico.

Além da nona, a décima, é uma grande compreensão.
A meu ver, até a nona o homem é apenas um buda;
com a décima ele também se torna um Zorba.

E este tem sido meu tema constante:
tenho insistido em dizer que a décima figura é autêntica e,
se ela não existisse, eu iria pintá-la.
Sem ela, acabar no nada dá uma impressão um pouco triste,
parece um pouco sério, parece vazio.

Todo esse esforço para se encontrar, meditar, ir além da mente,
compreender seu ser e terminar no deserto do nada...
não, deve haver alguma coisa mais para isso, alguma coisa além disso,
onde as flores desabrochem, onde as canções surjam,
onde a dança seja possível novamente -
num nível completamente diferente, é claro.

Essas figuras que representam o apascentar do boi
mostraram-se tremendamente significativas para a explicação
do caminho inteiro, passo a passo. "

Osho em Zen: Sua História e Seus Ensinamentos.

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        Om Shanti