Que acontece quando morremos?
Este é o tema que perdura por todos os tempos, até hoje.
Têm surgido imensa literatura que aborda este tema, e sugiro o livro O QUE ACONTECE QUANDO MORREMOS de Dr. SAM PARNIA, da UNIVERSIDADE DE SOUTHAMPTON, USA.
Sam Parnia refere o site
www.horizonresearch.org para actualizações sobre o modo como decorre a investigação sobre Experiências de Quase Morte.
Este autor (Parnia) refere que tinha 15 anos quando viu um documentário sobre as EQM, e que isso o motivou e conduziu, mais tarde, já como médico a investigar científicamente o que se passa quando alguém morre.
O estudo da mente humana durante o processo de morte começou a entrar para os domínios da ciência a meio dos anos 70. Até então fora considerada uma questão exclusiva da religião e da filosofia.
Sam inicia por fazer referencia ao trabalho de Dr. Raymond Moody e a publicação do seu livro Life After Life, em 1972, onde surgiu pela 1º vez o termo de EQM, para designar o que já era conhecido desde da antiguidade, ou seja, as experiências de quase morte.
Após esta publicação, as EQM passaram a ser alvo de debate e controvérsia, embora muitas pessoas afirmassem que estas experiências lhes tinham permitido ter uma ideia da vida depois da morte, outras, afirmaram que se tratava na melhor das hipóteses, de alucinações e/ou invenções.
Nos anos 80 continuaram a surgir relatos de pessoas com EQM. E o melhor relato de prevalência de EQM veio de uma revisão de Gallup realizada nos USA em 1982.
Em 1983, Bruce Greyson, um psiquiatra e professor da Universidade de Virginia, desenvolveu uma escala de 16 pontos para permitir diferenciar uma EQM de outras experiências de consciência.
Os 16 pontos são:
1. experimentar um estado alterado de tempo
2. experimentar processos de pensamento acelarado
3. revisão da vida
4. sensação de súbito entendimento
5. sentimentos de paz
6. sentimentos de alegria
7. sentimentos de unidade cósmica
8. ver-se/sentir-se rodeado de luz
9. ter sensações vividas
10. percepção extra-sensorial
11. ter visões
12. ter a sensação de estar fora do corpo físico
13. ter uma sensação de ambiente "de outro mundo"
14. ter uma sensação de entidade mística
15. ter uma sensação de entes queridos falecidos/figuras religiosas
16. sentir uma fronteira ou ponto sem regresso
Embora no inicio os cientistas estivessem cépticos em relação à ocorrencia das EQM, actualmente é uma área de estudo,em desenvolvimento, em especial por psiquiatras e psicologos que trabalham com cardiologistas.
Uma das características mais interessantes da Experiência de Quase Morte (EQM) durante a paragem cardíaca é que, na recuperação, os doentes relatam ter abandonado os seus corpos e ter visto o processo de reanimação.
Tais experiências muitas vezes tiveram um efeito positivo nas suas vidas, tornando-as mais piedosas, religiosas e temendo menos a morte.
Também há relatos de pessoas que viveram experiências negativas, que descreviam aspiradores assustadores, demónios, criaturas e outras experiências desagradáveis, mas que no final contribuiram no mesmo sentido das experiências positivas.
Existem 3 teorias que explicam as EQM:
TEORIAS BIOlÓGICAS - DO CÉREBRO A MORRER
Os argumentos científicos mais amplamente aceites centraram-se no conceito de que as EQM era uma alucinação em resposta a alterações no cérebro no momento da morte. Argumentou-se que, embora as EQM possam parecer reais a quem as sentiu, eram desarranjos fisiológicos e químicos que acompanham o processo da morte, que poderiam em conseqùência causar também alucinações.
Para apoiar este argumento propuseram-se muitos mediadores do cérebro como responsáveis pelas experiências, embora nenhum deles tenha sido provado experimentalmente. Estes incluíam falta de oxigéneo, aumento do dióxido de carbono, libertação de endorfinas, um tipo específico de convulsão conhecido como epilepsia do lobo temporal, vários fármacos, como a cetamina.
Sam Parnia refere que tratou mais de cem doentes com falta de oxigéneo, e que quando os níveis de oxigéneo baixam, os doentes ficam agitados e muito confusos. Este estado confusional também surge em pilotos (G-LOC) e em mergulhadores. Mas as pessoas que experienciam EQM têm uma excelente memória da experiência, que muitas vezes permanece nelas durante décadas. É totalmente o oposto ao estado confusional.
O autor também refere que não se conseguiu demonstrar a relação entre os efeitos do aumento do dióxido de carbono e as EQM. O mesmo em relação ao uso de drogas. Além disso, houve muitos relatos de pessoas que viveram uma EQM sem qualquer medicação ou abuso de drogas.
Em relação ao papel dos receptores químicos do cérebro, quando o corpo sofre um stress importante, como uma doença grave, liberta substâncias semelhantes a morfina chamadas endorfinas. Estas podem produzir uma sensação de bem-estar, felicidade e paz. Outros sugeriram que o intermediário deste processo era uma molécula do cérebro chamada serotonina.
A relação entre a EQM e os neurotransmissores continua em aberto, sendo necessário mais estudos...
Por fim, o facto de algumas pessoas com epilepsia do lobo temporal terem descrito alucinações que pareciam partilhar algumas das características de uma EQM, levou alguns investigadores a sugerir que as EQM também eram consequência de um funcionamento anormal desta área do cérebro. Sam Parnia não observou nada disso.
TEORIAS PSICOLÓGICAS - DO CONFORTO
Foi sugerido que a EQM, embora pudesso parecer real, era construída pela mente, consciente ou inconscientemente, em resposta ao stress de um encontro com a morte. Assim, sugeriu-se que a experiência de quase-morte poderia ser uma forma de despersonalização ou dissociação.
Dois investigadores médicos nos anos 1970, Noyes e Kletti, recolheram as vivências de EQM de 144 pessoas que tinham estado perto da morte devido a um perigo extremo como quedas de montanhismo e acidentes de automóvel e também constataram que muitas das experiências tinham ocorrido antes do acidente.
Outras provas vieram de um estudo realizado por Dr. Owens e colegas, publicado na revista médica The Lancet, em 1990. Neste estudo, recolheram os registos clínicos de pessoas que descreveram uma EQM e constataram que nem todas tinham estado gravemente doentes durante o seu internamento hospitalar.
TEORIAS TRANSCENDENTAIS - TRANSPESSOAIS
EQM poderia ser uma experiência espiritual, que indicava a existência de uma alma e que permitiria ter uma visão de vida depois da morte.
Primeiro, uma vez que a experiência ocorreu universalmente e foi descrita em todo o mundo, argumentaram que era improvável que se tratasse de uma alucinação.
Outro argumento contra as EQM serem experi~encias puramente psicológicas ou alucinatórias foi o facto de também serem descritas por crianças demasiado pequenas para terem qualquer conceito de morte ou de vida após a morte.
O argumento final adiantado foi que as pessoas que tiveram uma EQM teriam relatado conseguirem ver coisas em lugares e a distâncias de que não poderiam ter conhecimento.
Em termos conclusivos continua a ser necessário mais investigação, podendo as EQM ser explicadas pelas 3 teorias apresentadas, pode ser uma conjugação de 3 factores: biológico, psicológico e espiritual.
A PREPARAÇÃO DO ESTUDO DE SOUTHAMPTON DE 1997
Foram estudados os indivíduos em paragem cardíaca:
- a nível biológico, com a análise aos níveis de oxigéneo, dióxido de carbono, neurotransmissores e fármacos, a nível psicológico,etc;
- a nível psicológico, examinando os efeitos dos conceitos culturais e religiosos,
e para testar a hipótese transpessoal, foram colocados sinais escondidos por cima do tecto falso das enfermarias dos doentes, só vísiveis ao indivíduo em EQM.
As entrevistas tinham de ser feitas poucos dias depois, porque estudos psicológicos indicam que as pessoas podiam, com o passar do tempo, construir falsos acontecimentos sobre os verdadeiros. Nada lhes era sugerido ou dito. A pergunta seria muito simples:
"lembra-se de alguma coisa do período em que esteve inconsciente?"
UMA DESCRIÇÃO DE EQM
"... Durante a minha operação, eu estava a flutuar à volta da minha sala de operações- Podia ver o cirurgião e as enfermeiras trabalhando no meu corpo, embora agora não consiga lembrar-me de quantas pessoas lá estavam. Também conseguia ouvir a sua conversa... o cirurgião disse que deixaria a incisão aberta para drenar, uma vez que o ap~endice tinha rebentado. Depois visitou-me na enfermaria para me explicar o que tinha feito, mas eu já sabia... Ele disse que não era possível que eu o tivesse ouvido e sugeriu que uma enfermeira ter-me-ia dito. Não lhe disse que vi a operação a ser feita".
ANÁLISE DE RESULTADOS (Continua...
Paz e Prosperidade a Todos os Seres da Criação