Autor Tópico: Satori - A experiência do despertar  (Lida 5639 vezes)

Offline maria

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Satori - A experiência do despertar
« em: Janeiro 12, 2009, 20:00:03 pm »
Olá Amigos!

Escrevi anteriormente ensinamentos de Buda comentados por Krishna Swami.

Agora vamos ver outro aspecto que é o Satori, a experiência do despertar de que fala este Swami, noutras escolas totalmente diferentes. São escolas Zen, japonesas. Relaciona-se isto com a definição que Suzuki deu do Satori, em 1870.

"O Satori pode ser definido como o olhar intuitivo para a natureza das coisas, em contraste com a compreensão lógica. Na prática significa a descoberta dum mundo novo, até então não percebido, na confusão dum espírito formado no dualismo matéria/espírito ou corpo/alma. Podemos ainda dizer que com o Satori tudo o que nos rodeia passa a ser olhado sob um ângulo de percepção totalmente inesperado.

Para aqueles que já alcançaram um Satori o mundo deixa de ser o que antes era; os seus rios continuam a correr, os seus termos de lógica podem manter-se, todas as suas oposições e contradições são unidas, harmonizadas num todo orgânico coerente. Isto é um milagre; mas de acordo com alguns Mestres Zen, tais milagres têm lugar todos os dias.

Não se pode perceber o Satori enquanto não se fizer a experiência pessoalmente".

                                                                                 (continua...)

Um abraço
maria

Offline maria

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Re: Satori - A experiência do despertar
« Responder #1 em: Janeiro 13, 2009, 21:52:08 pm »
Olá Amigos

Um Mestre chinês, Fu Kuang, criou um mosteiro em 1286 no Japão (que já não existe). Ele conta uma história interessante sobre como conseguiu atingir o Satori:
 " Aos 17 anos tomei a decisão de estudar o Budismo e comecei a tentar decifrar os mistérios da vacuidade total.
 Ele esperava chegar ao fim daí a um ano. Mas no fim desse período não conseguiu compreender nada. Outro ano se passou sem melhor resultado. Depois mais 3 anos se passaram sem que tivesse conseguido o mínimo progresso. No 5º ao 6º ano, sem que tivesse havido qualquer mudança especial, o Mu ou vacuidade torna-se de tal modo inseparável de mim que até no sono ela permanecia.
 Reconheci aqui a identidade da pessoa com o acto; quem medita. Parecia-me que todo o Universo era mudo.
 Entretanto um velho monge disse-me para pôr isso de parte durante algum tempo. Para deixar de fazer esse estudo e essas comparações para ver o que é que iria acontecer. E sentei-me, muito descansado.
 Mas o Mu tinha-me acompanhado durante tanto tempo que por mais esforços que fizesse não conseguia livrar-me dele.
 Quando estava sentado esquecia-me de que estava sentado e nem consciência tinha do meu próprio corpo. Era um sentimento de um vazio total. Assim se passou meio ano. A minha consciência movia-se sem entraves, ora para Norte, ora para Sul. Sentado em Za-Zen (uma técnica de Meditação) durante 2 dias seguidos, ou durante 1 noite e 1 dia  eu não sentia a mínima fadiga.
Havia nessa época no mosteiro cerca de 900 monges, entre os quais uns fervorosos espíritos Zen. Certo dia, em que eu estava sentado ali, como se o meu corpo e o meu espírito se tivessem separado um do outro e tivessem perdido toda a possibilidade de se unirem novamente, ao meu redor todos os monges julgavam que eu tinha morrido, mas um deles, velhote, disse que eu havia ficado enregelado, que aquilo que se estava a passar comigo era uma mudança de consciência. Eu estava absorto em meditação profunda e eles taparam-me com roupas quentes e recuperei novamente os sentidos.
 Quando acabei de sair daquele estado e perguntei quanto tempo tinha estado assim, disseram-me que tinha durado 1 dia e 1 noite. Depois disso persisti em praticar aquela postura e meditação Za-Zen e então já conseguia dormir um pouco. Fechava os olhos e logo uma enorme vastidão de vazio se abria na minha frente, na forma de um pátio ou um átrio ou uma quinta. Mas mal os meus olhos se abriam a visão desaparecia inteiramente. Certa noite em que fiquei desperto até muito tarde, deixei-me ficar de olhos abertos, consciente de que estava sentado no meu banco. De repente feriu-me os ouvidos o som duma pancada vibrada no tapume frente à porta do chefe da comunidade e logo se me revelou o Homem Original. Nada restava daquela visão que me aparecia mal eu fechava os olhos.
Desci apressadamente do meu cubículo e à luz do dia comecei a correr pelo jardim até à casa grande onde, de olhos erguidos, comecei a gritar numa risada constante: "OH! Como é grande o Darmakaya!" E dali em diante a minha alegria não voltou a conhecer limites. Já não conseguia ficar mais em meditação profunda durante muito tempo. Vagueava por todos os lados, toda a alegria se expandia em todos os sentidos. Pensava no Sol e na Lua; tudo isso para mim era uma identificação total. O espaço de 4 milhas eu o percorria no circulo reflexo. A minha residência actual é na China e diz-se que o distrito de Yang é o centro da Terra. Nesse caso este sitio deve estar a 2 milhões de milhas do sitio em que se levanta o Sol. Como é possível logo ao nascer que os seus raios pairem em cheio no meu rosto? Reflecti profundamente. Isto, depois de profundo Satori fez com que as amarras que me atavam se desatassem, se rompessem. Deus chama-me e o Homem é alegre no mosteiro. Ainda que eu jamais alcance o maior Satori, porém a partir de agora não preciso de nada mais!"


Esta é uma experiência! Para verem a relação que existe entre 2 escolas totalmente diferentes. Eles alcançam as coisas e aplicam-lhe nomes absolutamente diferentes. Mas tanto nas escolas budistas, como nas Zen, como nas cristãs, todos atingem a realização da unidade, embora de maneiras diferentes. E todos eles são unânimes ao dizer que um novo mundo está para além deste nosso. Vejam o caso, entre nós, de Santa Teresa, de S. Francisco, S. João da Cruz, etc.

Desde que nós conhecemos esse novo mundo há uma alegria constante em nós; nessa fusão existe felicidade.

Este mundo já não nos pode dar mais do que nos deu. É uma questão das pessoas pensarem um pouco sobre isto. È mesmo uma questão de inteligência.

                                                                                      (continua...)
Um abraço
maria
     
« Última modificação: Janeiro 15, 2009, 10:34:09 am por maria »

Offline maria

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Re: Satori - A experiência do despertar
« Responder #2 em: Janeiro 15, 2009, 11:27:34 am »

Queridos Amigos!

E a meditação é chave, é o segredo. Mas não se esqueçam que a meditação nunca pode ser feita na superfície. Porque se a meditação é feita apenas na superfície nós andamos somente a fazer esgrima com a ilusão.
Criamos ilusões em cima de ilusões. fazemos esgrima, lutamos contra castelos de areia, contra imaginações.Deixamos que a nossa mente construa ela própria a nossa destruição, o nosso castelinho de areia, cheio de ilusões para nos entretermos.

Mas a mente sabe que a partir do momento em que a entrega é profunda e que a meditação vai para além do superficial, não pode construir mais castelos, não pode batalhar com ilusões. A meditação é um meio para lá chegar. Muitas centenas de pessoas alcançaram a Sabedoria através da meditação. Se fossem só 2 ou 3 talvez não valesse a pena o sacrifício. Mas não! Nós temos aqui 4 símbolos de homens que alcançaram essa Realidade. Mas existiram e existem muitos mais. Alguns incógnitos por esse mundo fora. Ninguém os conhece, mas são homens Realizados. Às vezes passamos por eles na rua e não damos por isso, porque não temos tempo de nos apercebermos da subtileza que lhe é inerente àquilo que ele trás. às vezes cruza mo-nos com homens absolutamente livres, porque existem muitos. Portanto, porque é que não havemos de ser um deles? Se nós temos a chave, sabemos o caminho para passar para o outro lado.

mas não nos iludamos. Se só entrarmos superficialmente, não vamos atingir mais do que isso. O superficial só gera o superficial. O profundo é que gera o profundo.

A descoberta do ser real duma pessoa vale bem todos os sacrifícios de milhares de Grupos como este.

( Mais uns ensinamentos do Mestre e Amigo Fernando,escrito no CHELAS em 25/9/82 porque ao relê-los acho que devo partilhar convosco ).

Um abraço
maria