Autor Tópico: A Torre de Babel  (Lida 4962 vezes)

Offline Susana

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A Torre de Babel
« em: Agosto 24, 2011, 23:03:46 pm »


Este texto trata da revisão/reinterpretação do sonho a que vamos chamar - A Torre de Babel. Digo reinterpretação porque os anos de vida a isso conduzem, a uma síntese global de aprendizado nunca acabado.

A Torre de Babel, segundo a narrativa bíblica no Gênesis, foi uma torre construída por um povo com o objectivo que o cume chegasse ao céu, para chegarem a Deus e estarem mais perto dele. A localização desta construção teria sido na antiga Mesopotâmia. A torre terá caído por terra, provocando a confusão das línguas.
Mas na interpretação do sonho que se segue, ela existe e é percorrida por todos.

Os sonhos são uma das expressões do eixo Ego - Eu Superior. Todo o sonho pode ser considerado uma carta enviada para nos despertar. Quando se diz Ego, diz-se personagem que somos na encarnação actual e síntese das anteriores, mais ou menos homogéneas e despertas. E quando se diz Eu Superior, referimos Deus em nós, a Centelha Divina. O objectivo da vida é estreitar a distância entre o ego e o eu superior.

A vida durante os sonhos é mais importante do que, à primeira vista, pensamos. Primeiro, porque, através dela, o subconsciente desbloqueia-se de tudo aquilo que fica reprimido durante o dia. Um segundo motivo para prestarmos atenção aos sonhos é que eles não só desbloqueiam, mas também equilibram nossa vida consciente. Um outro motivo é que os sonhos podem colocar-nos em contacto com níveis mais elevados do nosso ser. Ainda outro motivo para darmos atenção aos sonhos é que eles podem revelar que não existe separação entre as pessoas e o universo.
Ao começar a estudar os sonhos, convém que se tenha cuidado para não adquirir ideias fixas sobre seus significados. ainda que duas pessoas sonhem a mesma coisa, a interpretação pode ser diferente para cada uma delas.

O drama do sonho tem lugar um pouco acima do meio da torre sagrada, no exterior, a subir, olha para baixo, vê pó, areia, o deserto, pessoas que caminham na direcção da torre, outros sobem nos patamares inferiores, não é possível ver para cima. Entra numa porta, os olhos adaptam-se ao escuro e fresco, uma luz emana de cima e no centro do compartimento, à sua frente tem Jesus Cristo, vestido de lilás, como no Senhor dos Passos. Aponta para baixo, há duas passadeiras de tábua, uma junto a Jesus (para onde Ele aponta), a outra mais afastada, só uma pode ser escolhida e é a certa para passar sem perigo. Muita ansiedade, sai para o exterior, volta a entrar e... Jesus já não está e as passadeiras desapareceram. Saí caminha pelo exterior, o sol aquece em demasia, é penoso.

Esse sonho teve um forte impacto sobre o sonhador pela total retenção na memória, da cor, da nitidez das formas, da sequência das cenas, do viver das sensações e ansiedade associada ao desafio colocado pelo Eu Superior, ali representado pelo Mestre jesus.

Inicialmente fica a angústia de não ter superado ou aceite o desafio, e a lembrança reconfortante da presença divina. Segundo esta reinterpretação é como se o sonho provoque um eco na memória, que auxilia a alma a relembrar a sua origem celeste e o caminho para casa.

Esta torre tem a forma cónica, como podemos ver nas pinturas de Pieter Brueghel e Gustave Doré. Da base mais larga até ao topo estrito, está definido o caminho do homem até aos "Portões de Deus".


Os patamares estão interligados entre si, sem interrupção, como se se tratasse de uma grande mola em espiral, desde a matéria, a paixão e sentimentos,  a mente inferior e superior, a imaginação, a intuição, a vontade, e finalmente o mundo da transcendência.

Há dois caminhos ascencionais, o exterior e o interior.
O caminho exterior é o mais comum e seguro e o mais lento, corresponde ao viver a vida em comunidade, em família, em partilha com os outros, e implica saborear a vida, estudar, trabalhar, viver o nosso Ego/Ego(s) que procura por tentativas de aproximação e afastamento o Eu Superior.
O caminho interno, é solitário, mais rápido e corresponde ao caminho dos Santos.
Ambos existem sempre, mas só a partir de um nível mais elevado da torre passam as pessoas a equacionar essa escolha e a via interna.

O roxo (magenta e azul) da veste divina reporta a sensação de tristeza e morte do Ego, mas também significa prosperidade, respeito, nobreza por proximidade ao Alto, e protecção psíquica.

A luz que emana de cima representa a consciência total que se alcança no topo da torre. Todos os povos têm mitos da criação da consciência, que a descrevem como luz. Esses mitos também se referem à criação do ego, que é a manifestação da luz na matéria, nascida das trevas do inconsciente, e o regresso pleno e consciente.

As duas passadeiras reflectem a dualidade do ser que deve ser ultrapassada. No Evangelho de Tomé, Jesus diz "Os homens na verdade acreditam que eu vim para trazer paz à terra. Mas eles não sabem que eu vim para trazer a discórdia (consciência da dualidade) ... e elas serão levadas à solidão". Trata-se de atingir a condição solitária, isto é, individual e autónoma. Primeiro a separação/dualidade é experimentada como conflito, com ansiedade, com a maturação, o seguir Cristo, é realizar conscientemente o próprio padrão particular de totalidade de cada pessoa (torna -se um Deus autónomo).

A tentativa de imitar Cristo de forma literal e específica constitui um erro de raciocínio concreto na compreensão de um símbolo/sonho. Vista simbolicamente, a vida de Cristo é um paradigma  que deve ser entendido no contexto pessoal de sua próprio realidade exclusiva e não a imitar de modo servil.


Paz e Prosperidade para todos os Seres da Criação.





« Última modificação: Agosto 26, 2011, 23:18:23 pm por Universo »

Offline Susana

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Re: A Torre de Babel
« Responder #1 em: Setembro 07, 2011, 19:14:12 pm »
A Torre de Babel, também pode ser equiparada a uma Torre Humana, uns sobrepostos sobre outros, numa grande pirâmide que se eleva na direcção do céu, em seu sentido figurado, claro!
Penso que lidamos com pessoas que têm um papel na nossa vida: pessoal, íntimo, amigo, inimigo, etc, e que trocam entre si os papéis para equilibrar, compensar os actos praticados por todos nós, ao longo das vidas.
Assim, ao alimentar esta ideia, é mais fácil pacificar o coração e aceitar o outro, que para nós, pode ser terrível num determinado momento da vida. Como? Imaginem o peso de todos nós sobre aquela pessoa, que desempenha o seu papel (por exemplo, um criminoso) e que está num nível mais baixo da pirâmide.
Lá em cima, quando se atinge a Luz, temos a noção que devemos (de dever mesmo) ajudar os outros, apoiá-los na sua caminhada.
A Realidade é mais complexa, mas a verdade contida nesta simbologia (da torre), é real. Como nós só conseguimos abarcar partes do real, não digo que estará aqui todo o Real, mas parte da Realidade a considerar, de certeza, sim?!


Paz e Prosperidade a todos os Seres da Criação!

Offline ajce1962

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Re: A Torre de Babel
« Responder #2 em: Setembro 08, 2011, 22:05:08 pm »
Segundo a física, nós não observamos o mundo físico; participamos nele. Os nossos sentidos não são separados do que existe"em si", mas estão intimamente implicados num processo complexo de feedback cujo resultado final é de facto, criar o que está "em si".
Sonhamos o mundo. Sonhamo-lo como qualquer coisa de durável, de misterioso, de visível, de omnipresente no espaço e de estável no tempo.
"O espírito humano reflecte um universo que reflecte o espírito humano". Assim não podemos
dizer, simplesmente, que o espírito e a matéria coexistem, eles existem um através do outro. De certo modo, através de nós, o universo está portanto em vias de se sonhar a si próprio: o meta-realismo começa no próprio momento em que o sonhador toma consciência de si próprio e de seu sonho.


JEAN GUITTON em DEUS E A CIÊNCIA

Olá a todos,

Namasté