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Perguntas e Respostas (O Vazio)
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Tópico: Perguntas e Respostas (O Vazio) (Lida 6651 vezes)
maria
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Perguntas e Respostas (O Vazio)
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em:
Agosto 27, 2009, 23:42:13 pm »
Queridos Amigos.
Depois daquela conversa esclarecedora sobre o tema "O vazio " seguiu-se uma série de perguntas e duvidas aos mestres Teresa e Fernando que passo também a partilhar convosco.
Pergunta -Falou no Carma! Quando nós meditamos, se a mente pára, não criamos Carma. Mas o Carma do passado? Nós não podemos livrar dele, não é?
Teresa - Podemos! Em determinadas situações isso pode acontecer! Quando há uma entrega total a um Mestre!
A partir do momento em que o Mestre dá técnicas a um discípulo, ele assume os erros do discípulo.
Infelizmente os discípulos que abandonam o caminho estão a assumir uma dupla responsabilidade do ponto de vista cármico: não só aquela que é conhecida pelo abandono do caminho, isto é: A pessoa que entra num caminho qualquer que ele seja ( não nos estamos a restringir ao Grupo) e depois abandona, para não entrar noutro está:
1º - A recusar à partida a possibilidade de evoluir - Porta que se lhe abriu e que é difícil, tal como a reencarnação.
2º - Pelos conhecimentos que já tem está a errar também. Porque antes de ter conhecimentos o que fizer tem pouca responsabilidade, portanto depois os erros que comete assume maior proporção, porque já sabe que está a errar.
3º - Está a mandar para cima do Mestre esses erros, porque o Mestre fica responsável pelo discípulo a partir do momento em que lhe dá quaisquer técnicas.
No entanto o discípulo não se liberta totalmente do Carma através do mestre. A percentagem varia, conforme o Mestre, conforme a entrega do discípulo, etc.
P - Acho isso uma injustiça!
T - Mas o Mestre oferece-se para isso. E é aceite.Aliás isso está implícito no verdadeiro discípulo.
Fernando - Diz-se que o individuo quando se ilumina queima o Carma.
Quando entrarmos no vazio, esse vazio não é o nada, é a consciência da plenitude, tal como dizia Buda. Aí então não há criação de Carma. E isto está nos Tipitacas. Mesmo que ele provoque uma acção externa não provoca Carma.
Porquê? Porque tudo parte para ELE - ELE não parte para nada. E isto é bem ilustrado com o seguinte caso:
A certa altura correu o boato numa povoação onde Buda andava com seus discípulos, que andava um assassino feroz no bosque que tinha jurado que havia de arranjar 1001 de pessoas diferentes; e já tinha 1000 - faltava-lhe 1. E Buda para ir para outra povoação tinha que passar por aquele bosque. Ele disse então aos discípulos para ficarem porque Ele ia sozinho. E caminhou pelo bosque dentro. A certa altura surge o ladrão, puxa duma faca grande e disse ao Buda: "Pára, vou-te matar.Falta-me 1 dedo e vai ser o teu, para me libertar deste Carma"! Porque pertencia a uma seita hindu cujos rituais implicam certas penitências e sacrificios para pagar o Carma. E ao ladrão faltava 1 dedo para se libertar do que ele queria.
Mas Buda não respondeu e continuou a andar. e o ladrão avisou de novo Buda:"Olha que eu sou um assassino perigoso". Buda continuou a não ligar nenhuma e esta atitude provocou um choque no ego do assassino- Porque ele era um grande assassino e o Buda tinha que parar. Ele não punha sequer a questão de que havia alguém que não temesse um assassino, sobretudo feroz como ele era.
Buda não temia nada na vida e muito menos a morte. E não falou. " Pára! este homem é um louco. Pára ! senão eu corto-te 1 dedo. Vou matar-te para te cortar o dedo"! e Buda continuou a andar.
O ladrão entrou em pânico porque se sentia obrigado a matar o Buda e começou a ter medo Dele .
Nós só temos medo do que desconhecemos.
Se um cão feroz correr para nos atacar, se nós mostrarmos uma atitude de ausência de medo total, se o enfrentarmos com calma pelo menos 75% da força do animal perde-se .E o mesmo acontecia com este homem. Estava perplexo ao ver Buda avançar para ele. E gritava:" Pára! Pára! Não avances para mim! Tu és um louco"! E Buda disse:
" Não! Eu não estou a avançar. És tu que estás a vir para mim".
Isto é extraordinariamente profundo! Quem entender a atitude dos gestos, quem perceber, o que é a busca, entende o que é este "agir pelo não agir".
O Carma é normalmente formado pelo medo camuflado. É essa a razão que nos faz movimentar para aqui para acolá. O carma é o nosso motor de arranque.
Sempre aconteceu que quando um Mestre dá a iniciação a um discípulo, sendo a função dele ensinar, se há uma submissão da parte do discípulo, só assim o Carma, pode ser parcialmente limpo . Só se o discípulo realmente se entrega profundamente a uma determinada orientação há uma certa quantidade de Carma que é aliviado e consumido. se quiserem fazer essa análise, vão rever a vida de todos os Mestres conhecidos, procurem sinceramente e vão lá descobrir esse factor.
continua .....
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Última modificação: Setembro 15, 2009, 20:20:18 pm por maria
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maria
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Re: Perguntas e Respostas (O Vazio)
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Responder #1 em:
Setembro 06, 2009, 22:57:29 pm »
continuação da conversa....
Teresa - há muita coisa que podia ser esclarecida e não é porque, nós falamos muito mas as pessoas não fazem perguntas profundas. Geralmente estas coisas só se aprendem quando há um contacto directo com os Mestres, quando então se podem apanhar fragmentos disto e daquilo e apercebemo-nos então de determinadas coisas.
O facto dos Mestres se oferecerem a um sacrifício voluntário como Serviço pelos discípulos , não é injusto na medida em que é um Serviço, que é pedido. Daí advém a grande responsabilidade duma pessoa trazer outra para a espiritualidade. Por vezes é perfeitamente gratuito e geram-se situações em que as pessoas não são abandonadas, mas abandonam naturalmente o caminho.
Claro que o Mestre não pode geralmente expulsar ninguém (salvo casos especiais) - exactamente porque pediu este Serviço, mas é preferível muitas vezes as pessoas não entrarem a sobrecarregar-se a si mesmos a ao mestre com erros de que ele não tem a consciência total.
P - Acho que era conveniente os discípulos não saberem porque isso pode trazer irresponsabilidade da parte dos discípulos. Se, ele sabe que o seu Carma está diminuído por acção da oferta do Mestre, pode descuidar-se um bocado como discípulo.
Fernando - primeiro não deve descuidar porque o primeiro a sofrer as consequências é ele. E há outro aspecto: nós estamos sempre a medir justiça e a injustiça pela nossa própria bitola. Portanto em termos de consciência absoluta a nossa bitola não serve para nada. Não adianta nós dizermos que isso é justo ou injusto, porque essa avaliação não vai alterar nada.
se os factos existem assim, nós estamos a colocar o nosso conhecimento, a nossa medida para rotular uma determinada situação - se é justa ou injusta.
Isto não invalida que a pessoa o faça. mas isso é inútil. Porque senão cada um dava a sua opinião e a vida era uma balburdia louca. Existem regras e as mais claras são as da justiça - são implacáveis e não perdoam.
Tal como as outras que nós conhecemos, por exemplo: O tempo, nunca é o mesmo, o rio nunca é o mesmo e nós mesmos podemos andar para trás. E aquilo que hoje é justo, amanhã é injusto, depois volta a ser justo e assim sucessivamente.
Teresa - Também é aparente, ilusório que sejam os discípulos a escolher os Mestres e os Caminhos.
quando as pessoas perguntam: será que este é o Mestre certo? será que é o caminho certo? Só há uma maneira de consegui saber se determinado Mestre é verdadeiro ou não é. É exactamente assim: quando ele assume o Carma do discípulo - então sim Ele é um verdadeiro Mestre. Isto é, quando através da sua relação com o Mestre o discípulo se liberta duma parte do Carma. E esta é a única maneira de saber se o Mestre é verdadeiro ou não.
mas reconhecer isto é difícil porque é muito subtil e natural. Só se os discipulos estiverem muito atentos à sua vida.
P - Como é que a pessoa sabe se se foi liberta deste ou daquele Carma!
Teresa - Isso é prático, absolutamente. Por exemplo a pessoa chega ao caminho, ao Mestre com um determinado problema ou situação e enquanto permanece no caminho essa situação é alterada da melhor maneira para a pessoa. Pode até parecer que não é uma boa solução, mas decerto é o melhor para ela.
Uma pessoa com uma mente "profissional" de duvida pode argumentar: "Mas se calhar, se a pessoa não estivesse nessa prática, isso ia acontecer na mesma!..
mas isso são duvidas da mente, porque o facto REAL com que temos que lidar está aí. O resto são hipóteses ( e podem fabricar-se muitas). Porque depois visto posteriormente o caso (dada a nossa ignorância no presente) vemos que, aquela foi de facto a melhor solução para a vida da pessoa, para a sua evolução e para o seu carácter à luz do Carma - e aconteceu enquanto esteve lá.
Portanto a ilusão que as pessoas têm de que são elas que escolhem os caminhos e os Mestres é uma nulidade.
São os Mestres que vão buscar os discípulos, quer fisicamente, quer astralmente, quer mentalmente, enfim conforme a consciência do discípulo no momento.
Não se enganem, porque não há nenhum discípulo que escolha nenhum Mestre.
lembro aqui de novo que o assunto é profundo e estamos a falar de Mestres Verdadeiros.
Fernando - E há aquela frase muito conhecida e antiga; " Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece!"
Esta afirmação tem milhares de anos. Sendo verdadeira em todos os momentos.
Continua......
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maria
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Re: Perguntas e Respostas (O Vazio)
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Responder #2 em:
Setembro 10, 2009, 02:00:54 am »
continuando.....
Teresa - É verdade mas nós às vezes tratamos com um problema que é o seguinte: as pessoas querem trazer outros membros e nós ás vezes, sabemos que aquele não pertence ao Grupo. Nós não podemos dizer que não venha porque é complicado estar a explicar porque é que não;estamos a impedir uma pessoa de fazer Serviço; estamos a impedir a outra de vir; Depois isto desencadeia uma s´werie de questões, não é? Então, nós temos que fechar, digamos, ao publico e depois temos que restringir também no particular.
P - Mas essa noção de partilha do Carma, para mim, é uma noção nova, eu estava convencida que o Carma era pessoal e intransmissível...
Teresa - Não é intransmissível em parte nesta circunstância
P - Eu julgava que cada um tinha que cumprir o seu até ao fim.
Teresa - Não, e a contrapartida é que uma entrega real, efectiva da parte do Mestre, através de uma pratica efectiva do Mestre (não interessa o tempo) vai beneficiar o conjunto todo. É tudo automático
P - Isso pode acontecer com qualquer pessoa?
Teresa - Não, não, só com um instrutor! As pessoas que se ofereçam para salvar outras, quanto muito se não são instrutores, e acontece, claro, isso aí, então é que é injustiça, porque a pessoa, não está no grau de instrutor, então, o que ela pode influenciar, digamos, é com a sua vibração aqueles que se acercarem dela...
P - Podem ainda produzir um Carma diferente, portanto, haver uma alteração do Carma, pode ainda ser perigoso, prejudicial?
Teresa - Sim em determinadas situações. Mas geralmente acontece.As coisas não acontecem por acaso. Isso é a mesma coisa, uma pessoa estar a negar. É a mesma coisa que uma pessoa dizer. "Deus não existe" - quer dizer, o eu fazer ou dizer qualquer coisa a um determinado nível, não vai mexer com o cósmico, não, não tem importância...
Fernando - Quando o Mestre assume, parte do Carma das pessoas, há uma reacção certa, mas há outra coisa que as pessoas se esquecem, é que, ao assumir uma parte do Carma do discípulo, este tem um compromisso muito grande - O discípulo a quem foi limpa uma parte do Carma,as vezes não é bem limpi. É evitada determinada forma ou situações que teria de enfrentar.
Há pessoas extraordinariamente sensíveis, neuróticas, pessoas a que tudo lhes faz mal, têm medo de tudo, têm um instrutor espiritual que a tira dessas situações, que a traz para junto de si, que lhe introduz uma série de ensinamentos e essa pessoa assimilou! Ele tornou essa pessoa segura e pô-la novamente no mundo. O que é que lhe fez?
Tirou-lhe muitas situações que ela iria passar se estivesse no mundo sem o ter conhecido. Eu vou dar um exemplo concreto:
Uma pessoa anda na rua, tem medo das pessoas, uma fobia, as pessoas assustam-na, tem medo, quando fala com alguém cria problemas, vai para a prisão, depois é libertado, depois vai para o hospital, depois vai para aqui, vai para acolá, muitas coisas acontecem, tem medo de atravessar as ruas, tem medo disto, tem medo daquilo.
Essa pessoa vem ao Mestre, o Mestre trabalha, fala. Ele é colocado na rua, tem uma certa fobia ainda, mas já consegue atravessar a rua, já consegue falar com as pessoas, já não vai para os hospitais, já se controla.
Há toda uma série de situações que iriam acontecer, que não aconteceram por influência desse próprio Mestre, ele pegou-lhe em parte do Carma futuro e queima o presente.
P - Olha! mas ele não podia já ter criado situações em que isso lhe fosse oferecido, portanto, já tinha direito a esse Carma?...Quer dizer: A pessoa que foi beneficiada pela acção do mestre, podia já ter criado na vida anterior essas condições de melhoria do seu Carma...
Fernando - Pode!
P - Eu só queria saber se isso foi por influência do próprio Mestre!...se já estava determinado pelos Lipikas do Carma.
Teresa - Sim! Pode acontecer.
continua....
e a conversa vai ficar muito interessante!..
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maria
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Re: Perguntas e Respostas (O Vazio)
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Responder #3 em:
Setembro 14, 2009, 14:30:55 pm »
continuando.....
Fernando - Há outra coisa importante que não convém fugir daqui. Existe um círculo na vida, existe uma roda, ( e os Budistas dão esse conceito) o conceito da roda da vida. O que é que acontece? quando surge um Buda e quando ilumina discípulos e quando esses discípulos iluminam outros discípulos, saltarem fora, e o que acontece quando um Mestre conhece o discípulo é que ele fica com um pé fora da roda e outro pé dentro da roda. O objectivo dos Mestres para com os discípulos é fazê-los saltar da roda da vida, do circulo das reencarnações, da roda do Carma. Não é possível cumprir o Carma do principio até ao fim, porque isso é infinito, nunca mais acabaria, porque o acto de pensar, implica criação de Carma, portanto a única forma de fazer com que a pessoa saia da roda, saia do circulo do Carma, saia do circulo das encarnações, é levá-la à experiência do centro de si mesma,do vazio, onde surge a plenitude, onde ela salta fora e cria uma nova evolução.
Essa é a função do Mestre porque senão, a pessoa leva o resto da vida a criar Carma, quer por actos físicos, quer mentais.
mesmo que nos sentemos durante anos a fio em concentração e a nossa me3nte esteja activa, mesmo que pouco, nós estamos a criar Carma na mesma, e esses pequenos pensamentos geram uma causa, que por sua vez gera novo efeito e por consequência surge outra causa. O Carma tornou-se infinito.
A pessoa sentada em concentração está estática fisicamente, pode-se por isso concluir que essa pessoa não cria Carma só porque está imóvel sem praticar actos físicos? Não! Ela cria muito Carma, porque quando abandonada totalmente ao trabalho com a mente, ela tem muito mais força. As acções mentais, chegam a ser tão fortes como as físicas e por vezes até mais poderosas.
O Carma sem a interferência de um Mestre, seria infinito.
Quando ele ajuda um discípulo, ele imediatamente interfere na corrente do Carma do discípulo.Tentando tirá-lo para fora desse circulo infindável de criação de Carma, fazendo com que o discípulo consiga levar a sua mente para um ponto puro, onde estas cadeias sejam quadradas. O discípulo para isso terá que ter muita fé no Mestre e nas suas instruções.
Quando se diz que meditação é diferente de concentração, estávamos a dizer algo de profundo. Um exemplo: Se estamos a ver um jogo de xadrez, ou estamos a ver futebol com atenção, todos podemos dizer que estamos concentrados,mas se estivermos concentrados em Ramakrishna ou Jesus, muitos dizem: estávamos em meditação. Mas isso não é totalmente verdade pois existe pessoa e objecto,existe meditante e objecto de meditação, mas isto ainda é concentração.
A meditação, ou melhor o estado meditativo só acontece quando pela concentração, o objecto desaparece, o meditante desaparece e somente a consciência pura existe, só quando nada existe que possa criar divisão, algo que represente o UM e o DOIS, é que o estado de meditação acontece.
Quando pela meditação profunda, o Eu e o objecto desaparecem, só nessa situação, é que a cadeia do Carma é quebrada. Essa situação é a ponte que faz com que o discípulo saia da roda das encarnações e do Carma.È um ponto onde a dualidade não existe, o bem e o mal desaparecem, nada há para julgar. Tudo é.Tudo é plenitude da consciência, é o estado mais pleno, mais puro que um ser humano pode experimentar, é uma comunhão plena com a existência - o mais alto ideal do homem é atingido: a plenitude.
A roda do Carma, das encarnações foi deixada para trás.
Ele não cria mais Carma, porque ele nesse estado, é o passado o presente e o futuro, ele é a comunhão com todas as existências.
A Pessoa que está somente sentada em concentração, está ainda de certo modo ligada ao passado , presente e futuro.
A pessoa que está no estado meditativo ou contemplativo, não tem qualquer referência, ele é tudo ao mesmo tempo, não cria mais Carma e está na condição de não necessitar de outra encarnação. Ela saltou fora da roda.
continua...
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maria
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Re: Perguntas e Respostas (O Vazio)
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Responder #4 em:
Setembro 15, 2009, 21:38:25 pm »
P - Aqueles que têm a facilidade de saltar fora da roda, já criaram essas condições!?
Fernando - Sem dúvida! Criaram-se de diversas maneiras e métodos mas, não se pode aperceber nunca dessa condição. Caso contrário não haveria a necessidade de haver Mestres. Eles existem precisamente para os chamar, para os fazer saltar.
É claro que se eu for criar uma vida inteira de oração, de práticas espirituais, de estudo de livros sagrados, de todas essas coisas, claro que isso vai contar para uma melhor condição de realização numa vida futura. Isto para que um dia um Mestre nos possa "pescar".
Um Mestre só nos vai "pescar", se estivermos preparados para o receber. Para que este encontro se dê com um Mestre, é preciso preparar-nos, é isso que temos vindo a fazer ao longo de muitas vidas. Uma jóia é mais bonita depois de preparada, trabalhada. Esta é a condição necessária para que um Mestre nos veja no meio da multidão e nos possa tirar para fora da Roda, que ele assume parte do nosso Carma.
Muita gente desconhece este pormenor, mas é somente por ignorar esta condição, de que o Mestre é quem de certo modo, tira o discípulo da Roda, o discipulo por sua auto-recriação, não consegue sair sozinho, porque não tem maneira de o fazer, precisa de alguém que conhça o
como.
Por muito que o discípulo se prepare não consegue sair sozinho, ele precisa do Mestre para o tirar. Pode ter-se preparado muito mas fica eternamente perdido, sozinho, ele precisa de um "puxão" do Mestre.
P - Há um ponto que me impressiona muito, que é o da alegria e da tristeza. Como é que uma pessoa condicionada por tudo o que a rodeia, pela sua ancestralidade, pela sua vida social, pelo seu ambiente familiar, pelas regras que tem que seguir, embora não tenha seguido nenhuma religião, está sujeito a regras de conduta, não é? Como é que a pessoa realmente pode passar daquilo que é para aquilo que nos é dito que devemos ser? Comoé que uma pessoa por natureza triste, pode ser alegre? Eu aceito perfeitamente que a alegria é a coisa mais maravilhosa que existe. Mas comoé que a pessoa pode ser alegre naturalmente?
Fernando - Uma pessoa pode ter todas essas condições para ser triste,mas há que lembrar o seguinte: Ela geralmente não nasceu assim, fazem-na ou faz-se ,mas tem sempre a possibilidade de se tornar diferente. Esta é uma das vantagens do Ser humano.Ela pode mudar a sua condição de tristeza para alegre, ou de alegre par triste, sempre que ele quiser.
Agora pode mudar como? Só se pode mudar,completamente, quando se descobre o centro daquilo que realmente se é.
E a essência do Ser humano, é a plena alegria, portanto a tristeza é a ausência, O desconhecimento da essência do Ser humano.
A tristeza surge por causa de muitos factores sociais e isso faz com que nos afastemos do nosso centro e nos tornemos fechados a ele.
1º temos que nos abrir e estar atentos a tudo.
2º há muito trabalho que se faz sem nós darmos por isso, para que isso aconteça.
Quando nós meditamos profundamente, só existe uma condição: é uma paz alegre, não de uma paz triste. Isso conquista-se pela domação do nosso cavalo selvagem que anda dentro da nossa cabeça, porque Ouspensky foi um grande intelectual que viveu na nossa sociedade, como todos, como Aldus Exlay foi outro.
Este é um exemplo do homem triste. Foi triste, teve de passar por todas as situações; Na sua vida só queria a ser puro e criança, o que o levou a procurar o fascínio das drogas (erradamente) e a partir daí descobriu que para além de si havia uma situação em que ele era perfeitamente feliz e perfeitamente alegre e então dedicou-se à procura do Zen, à procura de si próprio e tornou-se aquilo que a gente conhece pelas suas próprias obras. Portanto tornou-se um homem auto-suficiente.
Ouspensky igualmente: era um homem muito social, era um grande intelectual, era um homem que escrevia muito, um homem que fez muitas coisas e ele sempre procurou durante toda a sua vida o ser alegre e o ser feliz porque isso é o que toda a gente procura. Encontrou...
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maria
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Re: Perguntas e Respostas (O Vazio)
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Responder #5 em:
Setembro 19, 2009, 21:33:08 pm »
p - Mas eu queria fazer aqui uma diferença: ser feliz não quer dizer ser alegre.
Fernando - Pois, mas é aqui que nós batalhamos a questão. Isso são os nossos conceitos para a felicidade. Ao formularmos esse tipo de questões estamos a falar sobre aquilo que desconhecemos. Portanto, quando nós somos profundamente felizes, somos profundamente alegres. Agora nós achamos que alegria é pular, rir, cantar. Não é isso! Alegria é sentir profundamente feliz, é uma pessoa sentir que está tudo bem, alegre, que está bem em todas as situações, em todos os momentos, em qualquer lado. Isso é estar alegre, estar feliz.
É nós darmos uma boa gargalhada sem inibições.
Teresa - A minha resposta à sua pergunta é: procure Deus!
Senão é cortar o ramo da roseira - a noção. Evidentemente que não há ninguém mais feliz do que aqueles que encontraram Deus e são os únicos que são realmente felizes, mas para isso é preciso não cortar nenhum tronco, não cortar nada, não dizer que não a nada, ter muito poucas noções, partir do zero, é voltar ao natural, não é transformar, é voltar aquilo que era, porque a transformação deu-se errada, então o natural não é esse, o natural não é nós sermos tristes, portanto não há que transformar nada, há que voltar ao que era, é voltar à origem e voltar à origem é voltar a Deus, é a única coisa em que há felicidade, em que há alegria. A partir do momento em que entramos com noções, com conceitos, com ideias, a partir do momento em que dizemos que não seja ao que for, nós estamos a cortar o tronco da roseira, estamos a desligar da raiz, estamos a não enfrentar a vida. Uma pessoa ( e isto não tem a ver consigo) que vive muito apoiada nos outros financeiramente,há um termo corrente, ordinário, vulgar para esse sistema de vida, mas eu não estou a falar nesse tipo de vida, eu estou a falar duma pessoa que normalmente julga que é independente, afirma-se como independente, como não influenciável mas é uma pessoa que vive completamente dependente dos outros, porque precisa que os outros o apoiem continuamente , materialmente se nós formos dizer a essa pessoa que ele está a dizer que não à vida e à própria independência, ele vai negar, se calhar é capaz de mandar tudo à .."fava"...e afirma a sua independência assim. Mas está a ser tão negativo em relação à vida, como o está a não enfrentar a sua própria situação de viver à custa dos outros. Só enfrentamos a nossa própria imagem, os nossos próprios conceitos, a nossa própria mente, olhando frente a frente no espelho e dizer, agora eu vou abandonar isto tudo, vou abandonar tudo aquilo que eu penso, todos os meus conceitos, tudo.
Porque realmente só vale a pena uma coisa: É procurar Deus!
Então aí abandona o Ego, porque aceita que lhe apontem o caminho e segue-o. Isto é: Depois de lhe apontarem vários caminhos, ele vai escolher qual é o seu. E quando seguir o caminho, começa a ter a certeza e quando chegar lá, realmente é tão óbvio que a pessoa não tem dúvidas de nada, é tão cheia que não tem vazio; é tão plena que é feliz e é alegre. Não há mais nada para dizer, nem há mais nada para fazer que seja importante.E isto é misticismo, isto é assim, realmente, de facto.Eu posso falar às vezes falar num tom místico, porque nós temos que falar de maneiras diferentes para várias pessoas, isto é ocidente, e porque eu própria sou mística, mas aquilo que eu estou a falar não é misticismo, é assim realmente. É prático.
Fernando - Se nos colocarmos em frente de um espelho e pusermos uma vela de cada lado, apagamos a luz, olhamos para a nossa imagem no espelho durante cinco ou dez minutos. Ao fim desse tempo nós vemos no espelho a nossa cara deformada. Agora digam-me: Qual é a verdadeira cara? a que está no espelho ou a que está a olhar?
R - Não sei!
Fernando - Então como é que nós ,se não sabemos qual é a nossa verdadeira cara, podemos dar a opinião acerca de Deus?
P - Mas eu acho que nós devemos procurar a nossa alma, acima de tudo!
continua.....
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Última modificação: Setembro 23, 2009, 22:30:56 pm por maria
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Re: Perguntas e Respostas (O Vazio)
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Responder #6 em:
Setembro 22, 2009, 22:30:41 pm »
Fernando - Já falámos sobre isso, mas é sempre bom repetir. A busca do Eu/Alma e a busca do Divino estão interligadas, mas não são realmente a mesma coisa.
Há dois caminhos: a procura directa de Deus e a procura do Eu - o Auto-conhecimento. Não é possível conhecer o Eu sem depois encontrar Deus, nem é possível conhecer Deus sem ficar a conhecer o Eu.
P - Então o que é Deus?
R - Deus não pode ser definido. E qualquer pessoa que o defina não sabe o que ele é.
P - E porque não temos compreensão para isso!?
R - A questão não é essa! Deus é compreensível em termos de consciência, o que não é definível por palavras. Porque se tentarmos definir por palavras uma coisa que é ilimitada, estamos a limitá-la, então estamos a falar de outra coisa qualquer - não de Deus!
Quando muito o que se pode dizer é que existem três atributos que são Divinos; são: Energia, Amor e Inteligência. São três atributos, mas não são deus.
É mais directo o caminho da Busca de Deus do que a Busca do Eu, porque buscando Deus quando se dá a consciência divina chegamos ao Todo e automaticamente sabe-se o que é o Eu, o que é o Espírito.
E chegando primeiro ao Espírito atingimos apenas a parcela não o Todo.
Fernando - Temos dois exemplos dessa busca: Uma é Ramakrishna que ensinava a procura de Deus. O outro é Ramana Mahashi que ensinava a procura do Eu.
P - Então a procura do Eu parece ser acessível ao nosso plano?
R - Porquê? Porque é que havemos de ser mendigos, se podemos ter tudo?
isso é escolher viver no mínimo ou no máximo. Isso é contraditório! Quando uma pessoa tem uma grande ânsia de conhecimento, é contraditório que queiram apenas um conhecimento parcelar.
P - Mas para mim é compreensível que possa chegar ao nosso Eu, mas já não é compreensível que possa chegar a Deus.
Teresa - Se nós compararmos as vidas dos instrutores, (cada um no seu nível evolutivo) vemos que quase todos tiveram uma certa dose de sofrimento. Alguns deles, como por exemplo Alice Bailey e outros, tiveram um comportamento vulgar. Noutros, os que nós temos conhecimento de terem atingido Deus, esse sofrimento, era agradecido e levado com alegria interior, com paz e Serviço contínuo e automático, sem esforço. Há uma grande diferença.
Todos os livros mais ou menos profundos são para satisfação intelectual. Quando nós dizemos que não conseguimos dominar a mente, fazer uma entrega total a Deus, nós estamos simplesmente a não querer abandonar aquilo que aprendemos. Porque aquilo que que aprendemos, realmente nos abriu um campo tão vasto, uma perspectiva que às vezes nem sequer suspeitamos. portanto a dificuldade consiste só em abandonar os conceitos, é só abandonar aquilo que a gente deduziu ou induziu ou concluiu, e isso é fácil, não há que pensar sobre como é Deus; se realmente é ou não é. É só experimentar; não é dificil! Porque se queremos muito uma coisa....a base é essa, é que se calhar nós só queremos o Eu, não queremos Deus. Porque quando queremos muito uma coisa, conseguimo-la, geralmente. As pessoas que têm uma grande força interior para levar as coisas com dificuldades até ao fim, quando querem fazem, contra tudo e contra todos.
P - Mas como?
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Última modificação: Setembro 23, 2009, 22:30:12 pm por maria
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maria
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Re: Perguntas e Respostas (O Vazio)
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Responder #7 em:
Setembro 23, 2009, 22:28:10 pm »
Teresa - Pela entrega. O problema é aquilo que estava a falar à bocado. É que tudo é tão inseguro na nossa vida que nos agarramos à mente, ao sofrimento, à angustia, à miséria moral, pelo menos aquilo nós temos que agarrar.mas é o vazio que interessa não parar.
Costumo dar muito esse exemplo: Quando fazemos uma chamada telefónica, discamos o número, ficamos com o auscultador na mão à espera que a outra pessoa atenda, nesse compasso de espera, nós estamos no vazio, a não ser em alturas em que estamos tão acelerados, que aproveitamos para pensar, mas 90% das vezes quando nós discamos o número e ficamos à espera que a pessoa atenda, nesse momento a pessoa está mais próximo de Deus, está no vazio, não está a pensar, está na expectativa, a expectativa é vazio. Tem capacidade ou não tem?
A expectativa dá esse estado, então a pessoa tem capacidade para isso. Não abandona porquê?
Porque a sua mente é a única coisa que ninguém lhe pode tirar. Os intestinos, o estômago se as pessoas tiverem um problema ainda lhe tiram, agora a mente não, a capacidade de raciocínio não, normalmente não acontece. É Ego só Ego mais nada que impede essa entrega.
P - Esse momento de expectativa dá a possibilidade da realização Divina?
Teresa - Não! Depois essa expectativa tem de desaparecer também, porque então aí está um desejo.
P - Então será um vislumbre agora e outros mais tarde?
Teresa - Não, isso aí já entramos na conjectura de como é que Deus se vai manifestar. É mais grave ainda! Não pode ser!
P - Depois dessa expectativa há que haver uma paragem para depois ir mais além e é a condição única necessária?
Teresa - É como a criança que entra com a mãe numa pastelaria, quer um chocolate à viva força, bate o pé," Ó mãe eu quero, eu quero" . A mãe diz "está bem!" e ele pára.Quando pedimos o suficiente o "chocolate", ficamos na expectativa e paramos a partir do momento em que relaxamos na expectativa. Não há nada que nos faça ter a certeza, mas sentimos que não precisamos esperar mais, pode levar mais ou menos tempo, mas vem. Porque necessariamente tem de passar pela subida do Kundalini e a procura do Eu não leva ao despertar do Kundalini, isso ainda não é a manifestação Divina, mas o despertar do Kundalini dá-se depois do compasso de espera e quando há a subida do kundalini já há uma alteração de consciência, então aí já é anulado completamente o estado de expectativa. Isto são tudo processos automáticos o que é dificíl expressar. Mas é assim! A subida que é realmente fisiológica, do Kundalini já altera, anula a expectativa e é depois nesse relaxamento a coisa vem.
Pode dar-se no momento ou pode dar-se daí a um mês, tanto faz, depende da intensidade com que a pessoa procurou, do tempo que procurou, da qualidade, do nível do Mestre que tem e da sua altura própria.
Fernando - Eu gostava que não se esquecessem do exemplo que dei aqui há uns tempos, de um discípulo japonês: Há dez anos que fazia uma técnica Zazen, portanto há dez anos que ele estava na imobilidade mental e física na procura total de Deus e ele dizia mesmo que sentava-se para meditar, meditava mesmo, mas depois voltava à mesma ansiedade, à mesma tendência, tudo voltava, até que numa altura, ele estava a meditar, dentro do mosteiro, no outro lado um gongo bateu, assinalou as horas da manhã, ele devia estar a meditar e quando esse gongo bateu, aconteceu como um estalo dentro da cabeça dele e ele imediatamente compreendeu tudo e a partir daí sentiu-se completamente cheio da vibração de Buda.
Teresa e Fernando
Um abraço
maria
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