A Caminho do Templo
O Diário do Discípulo / The Disciples Diary => A Experiência / The Experience => Tópico iniciado por: Susana em Maio 11, 2012, 23:25:32 pm
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Olá a todos!
Passei um "bom bocado" (que também é um bolo muito bom) com a minha mãe terrena hoje, senti uma leve inspiração e como estamos próximo do dia 13 de Maio, lembrei-me da "Gloriosa" mãe do Céu, como era tratada pela mística alemã Hildegard von Bingen (parece impossível neste momento de crise acreditar no coração alemão), e está lançado o mote para vos contar e refletir convosco sobre as feridas que nos provocam no coração, mas que também provocamos nos outros.
Mais um sonho, tão nítido e angustiante, que contei ao marido e à minha filha, que logo respondeu: mãe, não foi eu, foi a ... a irmã mais nova (que abriu inadvertidamente o portão, conduzindo as 3 à morte). Como é que ela sabia se não estava lá, no sonho
Estava numa cidade da velha Atlântica, em situação de ruptura, um caos, a anarquia completa, tenho de fugir, ...vou buscar as duas filhas, fugimos por uma muralha que conduzia para fora da cidade/estado, descemos uma escadaria cujas paredes estavam forradas de azulejos azuis (que graça, em Portugal também há muitos), surge um homem atrás de nós, percebi de imediato que queria as miúdas, e pensei, vou enganá-lo...e disse: lá atrás está a filha mais velha, adolescente, pode ir buscá-la, e ele foi, não havia mais ninguém. Com receio que voltasse, incentivei as miúdas a desceram o mais depressa possível, e criticava por serem lentas, mas era a ansiedade, estávamos a ir bem depressa.
Passámos por cima de uma ponte estreita, onde só ia uma de cada vez; Eram estas pontes que ligavam a muralha alta interior a uma muralha mais baixa no exterior, ainda passamos por portões de ferro, com muita dificuldade, que tranquei depois de ter alcançado o outro lado, e por fim parámos, antes do último portão, que abria com o puxar de uma alavanca hidráulica?!
Depois daquela porta, o desconhecido... selva, floresta e bichos, dinossauros?!
Elas não podiam sair sem a minha autorização, mas passados dias, estava tão cansada e exausta que adormeci, quando acordei, não as vi...
O portão estava aberto, procurei, procurei, nunca mais as vi...
Acabei por morrer para lá, também, já não me importava... queria as minhas filhas, queria morrer com elas, ao mesmo tempo, ...
Pequenas reflexões:
- Os sonhos mais importantes para nós são estes sonhos, tipo mitológicos, que provocam uma alteração na compreensão da vida, em geral, para um estado interior mais pacificado.
- Na matéria, estes sonhos reflectem as características da pessoa, a personalidade, é verdade, mas também pode ter correspondência com acontecimentos do passado... seja como for, há mais cuidado com a exigência e críticas que fazemos, neste caso, aos filhos, às crianças, e compreendemos melhor o relacionamento com elas.
- Consideramos outras hipóteses de saída para os problemas, aumentando a nossa descentração em relação ao tema. Talvez ... ir com o sujeito, talvez as tratasse bem e não tivessem morrido tão cedo, teriam mais tempo para aprender/evoluir. O outro desconhecido é sempre inimigo e pode não ser.
- Mas, o mais importante, parece ser a oportunidade que a pessoa tem de recriar o que sentiu, neste caso, o perder a determinada altura e ter uma nova oportunidade de educar e ver crescer as seres que amava (não quer dizer que sejam estas, as mesmas meninas, as outras até já podem ter atingido o nirvana, porque depende do esforço de cada um), mas parece haver um mecanismo universal que coloca seres em sintonia, com dificuldades semelhantes num processo de continua aprendizagem.
- E cumpre-se a máxima - nada se perde, tudo se transforma!
Mais feridas!
Uma pequena regressão, estava a correr com a minha irmã mais nova, no limite de um campo cultivado com trigo, livres e felizes ao ar livre, a correr descalças, com aventais brancos por cima de vestidos brancos, limpinhos, sem nódoas, senão... tareia.
Muitas regras, ...não entrar em casa sem pedir autorização aos pais (uma pequena casa de madeira, Áustria, para esse lados, não havia transportes públicos, só cavalos, carroças...), não iniciar a refeição sem pedir autorização (uma sopa muito sem nada)... mas isso não importava porque estava com a minha irmã, era como se fosse minha filha.
O pai com umas patilhas negras e grossas na cara, a mãe e o pai muito mal dispostos, não havia dinheiro, o campo não ia render, estava seco, e não estava pisado, nem pensar, fazia-mos tudo certo...parece que sabia no meu intimo que a iam levar...nunca mais a vi... que dor...onde está? com quem estará, é horrível, penso logo nos desaparecidos...
Fomos todos separados e entregues a cuidados de estranhos, não havia dinheiro..., mas o pior foi perder o ser amado, a irmã... (tanto choro).
Ainda bem que tenho uma irmã...
- É muito profunda e longuínqua a história individual de cada um; Há mais, podemos cavar e encontrar um poço sem fundo, uma mistura entre o que foi e o que é e o que será, mas vamos devagarinho, na medida em que queremos despertar a consciência sem perder o equilíbrio e o optimismo de viver.
- A dor de uma "ferida no coração" é mais intenso na infância do que no estado adulto, porque a criança tem menor capacidade para lidar com o problema, e não percebe como pode alterar a situação, guardando toda a energia do acontecimento traumático dentro de si.
- Parece ser com a dor que damos mais valor ao que temos.
Escrito,
para ti mãe querida,
e para a Mãe do Céu, obrigado, adoro a vossa companhia.
Paz e prosperidade a todos os seres da criação!