Queridos Amigos!
O que somos «nós» ? A Centelha Dívina !!!
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A Mente mente constante/mente.
Humano, vígia os teus pensamentos ! ( disse ELE )
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Lembram-se EDU CERE ? (educar , "fazer saír" )
(partilha de pensamentos ? "apenas isso" ! :D ;D
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::) ::) OBSTÁCULOS À MEDITAÇÃO
- Exercícios físicos exagerados
- Muita conversa
- Comer demais
- Beber demais
- Procurar a companhia de pessoas fúteis
- Andar demais
- Muita actividade sexual
- Muito cansaço físico.
Acabe com os pensamentos dispersos. Podemos fazer um treino. Escolha um assunto e pense em todas as diferentes facetas e importância. Quando fizer esse exercício não permita que qualquer outro pensamento penetre na sua mente. E, quando isso acontecer, leve-a outra vez de volta ao ponto em questão.
Por exemplo, comece a pensar na vida e ensinamentos de Ramana Maharshi ou de Jesus, ou de Buda, (ou de outro Iluminado).
Pense no lugar em que ele nasceu, no seu carácter, sua personalidade, as suas virtudes, os seus ensinamentos, sua filosofia, algumas das suas frases importantes, etc. Pense nisto com esta sequência. Extraia tudo de cada um dos itens. Frequentemente alerte a mente para cada ponto. Depois escolha outro assunto.
Com este exercício você desenvolverá um método de pensar. As imagens adquirirão enorme força e intensidade. Tornar-se-ão claras e definidas. Nas pessoas comuns as imagens mentais são deformadas e indefinidas.
As imagens mentais do homem comum são, em geral, muito distorcidas. Ele desconhece o pensamento profundo. Os seus pensamentos são pensamentos caóticos. Normalmente há muita confusão na sua mente.
Somente os pensadores, os filósofos, os estudiosos e os yogues possuem imagens mentais bem definidas e claras. A clarividência prova isto cabalmente. Aqueles que praticam a meditação e a concentração desenvolvem imagens mentais fortes e bem formadas.
A maioria dos pensamentos do homem comum não possui uma base firme. Eles aparecem e desaparecem. Por isso são vagos e indefinidos. As imagens não são claras, fortes e bem definidas.
Terá que esclarecer as suas ideias, usando pensamentos correctos, raciocínio, introspecção e meditação. A confusão desaparecerá!
Não permita que a mente borbulhe. Deixe que uma onda de pensamento surja e se estabeleça calmamente.
Aí então aceite o aparecimento de outro pensamento. Afaste todos os pensamentos estranhos que não tem relação com o assunto que está encarando nesse momento.
Purifique os seus pensamentos em alto grau. Faça introspecção e meditação em solidão. Silencie os pensamentos.
Sendo uma enorme força, o pensamento possui um poder tremendo. É um assunto crucial saber como usar este poder de maneira correcta, da maneira mais elevada. A melhor maneira é praticar a concentração e a meditação.
A meditação funciona quando o pensamento aplicado e contínuo, o êxtase, a bem-aventurança e o controle da mente existam.
O pensamento é uma força vital e viva - a força vital, subtil e irresistível em todo o Universo.
Os pensamentos são formas vivas, movimentam-se. Possuem forma, estrutura, cor qualidade, substância e poder.
Um pensamento de alegria cria consequentemente um pensamento de alegria nos outros. Quando surge um pensamento nobre, ele serve de antídoto potente para contrabalançar um mau pensamento.
Se nos exercitarmos a pensar positivamente, vamos adquirir poder criativo.
Não se deixe influenciar facilmente pelas sugestões alheias. Todos nós vivemos num mundo de sugestões. O nosso carácter é inconsciente e diariamente modificado pela associação com outras pessoas.
Inconscientemente imitamos os actos daqueles que admiramos. Diariamente absorvemos as sugestões dos que nos cercam na vida quotidiana. Essas sugestões agem sobre nós.
Os costumes nada mais são do que o produto de sugestões. A roupa que vestimos, os nossos modos, comportamento e até o alimento que comemos são todos, e nada mais que produto ou resultado de sugestões.
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Observe muito cuidadosamente todos os seus pensamentos. Suponhamos que você “se torna presa de pensamentos tristes.” Você vai sentir depressão. Tome uma chávena de leite ou de chá de tília. Sente-se calmamente. Feche os olhos. Procure encontrar a causa da depressão e tente removê-la.
O melhor método para superar pensamentos tristes e a depressão consequente é procurar pensamentos inspiradores sobre coisas inspiradoras. Lembre-se, de novo, que o positivo supera o negativo. Esta é uma das eficientes Leis da Natureza.
Cante: muitas vezes o canto pode mudar rapidamente o seu estado de ânimo. Cantar é muito benéfico para espantar a tristeza. Cante o OM várias vezes, se quiser. Dê uma corrida ao ar livre A depressão desaparecerá.
???
Você pode tratar da mesma forma outros pensamentos e sentimentos negativos. Quando ficar com raiva - pense no Amor de Jesus. Se tiver pensamentos de inveja - pense na caridade de S. Francisco de Assis. Quando surgirem pensamentos deprimentes, tente relaxar e lembrar-se de uma paisagem que um dia o impressionou pela sua beleza, ou lembrar-se de alguma frase que tenha lido num livro que o tenha inspirado. E assim por diante.
Você afastará os pensamentos e sentimentos negativos e estabelecerá um estado de ânimo positivo. A prática contínua do exercício é essencial.
Tenha cuidado na escolha dos seus amigos.
Fale pouco e apenas sobre assuntos úteis!
No começo da prática do controle de pensamentos você sentirá grande dificuldade. Os pensamentos tudo farão para defender a própria existência. “Dirão”: Temos o direito de permanecer neste palácio da mente. Desde tempos imemoriais possuímos o monopólio de ocupação desta área. Por que razão iremos evacuar o nosso próprio domínio? Lutaremos até ao fim pelos nossos direitos inatos.
Eles atacarão com violência.
Quando se sentar para meditar, surgirão os pensamentos mais variados tipos de maus pensamentos. Se você tentar suprimi-los, eles atacarão ainda com mais força e vigor. Mas o positivo supera sempre o negativo.
Assim como a escuridão desaparece com o Sol, assim como o leopardo não enfrenta o leão. Assim também esses pensamentos escuros negativos - esses importunos invisíveis, inimigos da paz - se afastarão diante dos pensamentos sublimes e divinos.
Morrerão de inanição.
Afaste da sua mente todos os pensamentos desnecessários, inúteis e irritantes. Os pensamentos inúteis impedem o seu crescimento espiritual: os pensamentos irritantes são obstáculo para o seu crescimento espiritual.
Você afasta-se de Deus quando alimenta pensamentos inúteis. Substitua-os por pensamentos de bondade. Cultive unicamente pensamentos proveitosos e úteis. Não permita que a mente permaneça nos velhos sulcos e que conserve seus próprios caminhos e hábitos. Mantenha-se cuidadosamente alerta.
Se uma pedra dentro do sapato nos incomoda, nós tiramo-la. Descalçamos o sapato e sacudimo-la. No momento em que se compreende bem esta questão torna-se igualmente fácil remover um pensamento inoportuno e irritante da mente. Não deve haver dúvidas nem duas opiniões contraditórias. Isto é óbvio e evidente.
Deveria ser tão fácil expelir um pensamento irritante da mente como retirar uma pedra do sapato; e, antes que um homem seja capaz disto, é inútil dizer que conquistou o seu Ego. É um mero escravo e presa dos fantasmas de asas de morcego que esvoaçam no corredor do seu cérebro.
Os pensamentos fúteis causar-lhe-ão muitas dificuldades no começo da sua nova vida espiritual. Dificultar-lhe-ão a prática de meditação e da vida espiritual. Mas se for disciplinado no cultivo dos pensamentos espirituais e na meditação, esses pensamentos fúteis morrerão paulatinamente por si mesmos.
A meditação é um fogo que queima esses pensamentos. Não tente expulsá-los todos. Alimente pensamentos positivos em relação à meditação. Pense positivamente sobre coisas elevadas.
Observe cuidadosamente a sua mente. Seja vigilante. Esteja alerta. Não permita que ondas de irritação, inveja, raiva ódio, luxúria, entrem na sua mente. Essas ondas sombrias e os pensamentos sombrios, fúteis, são inimigos da meditação, da paz e da sabedoria.
Domine-os imediatamente, alimentando pensamentos divinos e sublimes. Os pensamentos fúteis que aparecem, podem ser eliminados pela criação de bons pensamentos e a continuidade destes pode ser mantida pela repetição do mantra, ou pela oração, cantando, praticando boas acções, lembrando a miséria que os pensamentos fúteis acarretam.
Quando você atingir um estado de pureza mental, nenhum pensamento fútil surgirá na sua mente. Assim como é fácil impedir a entrada de um estranho ou de um inimigo no portão, será fácil afastar um pensamento fútil no momento em que ele aparecer. Corte-o pela raiz. Não permita que ele se enraíze.
Quando você está ocupado no seu trabalho diário, é possível que não tenha nenhum pensamento impuro; mas quando vai descansar e a mente fica ociosa, os pensamentos impuros tentarão entrar traiçoeiramente. Precisa ter cuidado quando a mente está relaxada.
Os pensamentos são fortalecidos pela repetição. Se você alimentar um pensamento impuro ou um bom pensamento, uma vez que seja, ele tem tendência para se repetir.
Os pensamentos juntam-se da mesma maneira como as aves da mesma espécie se congregam. Assim, se você cultivar pensamentos impuros, todos se juntarão e o atacarão. Mas se tiver um bom pensamento, todos os bons pensamentos virão ajudá-lo.
Deixe que de todos os lados venham até si pensamentos sublimes.
Dúvidas, medos, fraquezas, depressão, pensamentos sombrios, são todos negativos. Cultive pensamentos de força, confiança, coragem, alegria. Os pensamentos negativos desaparecerão.
Encha a sua mente de pensamentos divinos com orações, estudo e reflexão de livros sagrados. Olhe com indiferença para todos os pensamentos negativos e fúteis. E eles se afastarão. Não lute contra eles. Peça a Deus que lhe dê força. Leia a vida de Mestres e Santos.
Todos os que seguem estes princípios passaram pelas mesmas dificuldades. Portanto, tenha coragem!
“A alma não pode ser alcançada por pessoas fracas. “Os aspirantes sinceros dedicam todo o seu ser à contemplação do Eterno, tendo retraído a sua afeição pelo mundo dos objectos sensoriais.
Aqueles que destruíram as hordas de pensamentos costumeiros, gozarão da bem – aventurança final na sede Bramânica, cheios de confiança, de aceitação e de igualdade. A sua visão sobre tudo será perfeita. A mente inferior daninha e poderosa, é que gera todas as dores e todos os medos, as diversificações, a heterogeneidade, as diferenciações e dualidades destrói a riqueza nobre e espiritual. Domine essa mente perturbadora.
Quando o objecto visto e a visão se tornam una em quem a vê, a experiência chamada Ananda (bem – aventurança) é o seu quinhão. Por todos os lados vê o Jnana ilimitado, a Alma Universal. E então todas as diferenciações e dualidades desaparecerão.
Os pensamentos de atracção e repulsão, os afectos e os desafectos, são eliminados totalmente. Neste ponto o sábio não estará mais consciente do corpo, ainda que funcionando nele. Nunca perde o controlo, mesmo entre muitas ilusões deste mundo, como a mulher que cumpre as suas obrigações enquanto pensa no homem amado que está distante. O sábio mantém constantemente a mente concentrada em Deus.
Possa você sempre e apenas realizar os actos virtuosos que o auxiliarão a atingir Jnana, sem pensar em prosperidade material no futuro.
Possa você viver imerso no oceano de Júbilo Divino, num estado de total esclarecimento, tendo eliminado todas as dualidades, as diversidades e as diferenças.
Não tente afastar os pensamentos sem importância e sem sentido. Quanto mais tentar, mais vezes eles se repetirão e ganharão força. Você irá apenas sobrecarregar a sua energia e vontade.
Torne-se indiferente!
Encha a sua mente de pensamentos divinos!
Os outros desaparecerão paulatinamente. Coloque-se no estado de Nirvikalpa Samadhi, através de meditação constante.
A remoção da tensão nos músculos do corpo faz com que a mente descanse e se acalme. Pelo relaxamento você descansará a mente, os nervos e os músculos tensos. Obterá grande paz de espírito, força e vigor. Quando praticar o relaxamento, quer do corpo, quer da mente, o cérebro não se deverá ocupar com diversos tipos de pensamentos estranhos, soltos. A raiva, a decepção, o fracasso, o mal-estar, a miséria, a tristeza, as brigas, causam tensão mental interna.
Expulse-os!
Os pensamentos são de 4 tipos: simbólicos, instintivos, impulsivos e costumeiros. Pensar com palavras é do tipo simbólico. Os instintos são mais fortes do que os impulsos. Os pensamentos costumeiros referem-se ao corpo, à alimentação, às bebidas, ao banho, etc. É fácil parar os pensamentos simbólicos; difícil parar os instintivos e impulsivos.
Consegue-se adquirir equilíbrio e calma mental, eliminando as preocupações e a raiva. O medo está realmente ligado à preocupação e à raiva. Seja cuidadoso e vigilante. Todas as preocupações desnecessárias devem ser evitadas. Sente-se durante 15 minutos pelo menos, relaxando, em posição confortável, e faça a sua meditação. Pense em coragem Júbilo, paz e Alegria!
Geralmente nas pessoas ainda não acostumadas a fazer esses exercícios, a mente está ocupada, ao mesmo tempo, com 4 ou 5 tipos de pensamentos.
Pensamentos sobre o lar, sobre os negócios, trabalho, o corpo, a comida e a bebida, esperanças e planos, projectos para fazer dinheiro, alguns pensamentos de vingança, alguns costumeiros de, como e quando ir à casa de banho, de lavar-se, etc., ocupam a mente ao mesmo tempo.
Quando você está a estudar um livro com bastante interesse, a ideia do prazer de assistir a um filme, pode assaltá-lo de vez em quando. Só um Yogue, com a mente exercitada pela concentração, consegue manter dentro de si um único pensamento durante o tempo que desejar.
Se observar cuidadosamente a mente, verificará que muitos pensamentos são inconscientes. A mente vagueia sem destino fixo. Lá se encontram alguns pensamentos sobre amigos, alguns sobre como ganhar dinheiro, uns sobre comer e beber, outros a sua infância, etc.
Se conseguir estudar a mente e conseguir pensar num assunto único, excluindo todos os outros pensamentos, só isto constitui uma vitória e você terá dado um grande passo na conquista do controle de pensamentos. Não desanime.
O objectivo da vida é adquirir a consciência Divina!
Esse objectivo é a compreensão de que você não é só esse corpo mortal, nem só essa mente mutável e finita, mas a Alma totalmente pura e livre!
Uma consciência limpa fortalece o coração e a mente;
A pobreza é a irmã mais velha da preguiça;
Conhecer-se a si mesmo é o maior tesouro;
A meditação é chave do conhecimento.
um abraço
maria
Queridos Amigos!
ESTAREI EU A EVOLUIR NA MEDITAÇÃO?
Alguns de vós em determinada altura dentro da espiritualidade já fez esta pergunta: “ Estarei eu a evoluir na meditação? “ É claro que esta pergunta, já nos foi formulada várias vezes por membros. Claro que tem significado, mas, ao mesmo tempo ela é formulada somente quando algo de errado está a acontecer, ela é sinónimo também de uma esperteza sagas, porque a nossa mente já nos meteu na engrenagem da expectativa e quer a todo o custo saber se não está a ser enganada.
Quando esta pergunta é feita, é necessário ter bem presente, que ela é sinónimo de que não estamos efectivamente fazendo nada para evoluir, estamos perdendo tempo com antecipações e não estamos a trabalhar para evoluir.
Esta pergunta surge por muitas razões. Uma é porque não estamos realmente a trabalhar, a agir para evoluir, estamos apenas nos enganado a nós próprios.
Estamos a fazer truques com nós mesmos. Isto porque estamos menos interessados no que estamos a fazer e mais interessados no que está a acontecer. Se estivermos realmente a meditar a sério, podemos deixar os resultados com o Divino. Mas as nossas mentes são de tal natureza, que nós nos preocupamos menos com a causa, e nos preocupamos mais com o efeito, devido à nossa avareza, à nossa cupidez, à nossa cobiça.
A cupidez quer tudo sem fazer nada. E dessa maneira, a mente avara lança-se para a frente. E a mente sagaz pergunta: “O que está acontecendo? Está mesmo a acontecer algo ou não?” Mas devo dizer-vos, preocupe -mo-nos realmente com o que estamos a fazer, e quando algo acontecer, logo saberemos. Vai acontecer mesmo. Não precisamos de perguntar a ninguém.
Se estivermos mesmo a progredir, então certas coisas vão começar a acontecer espontaneamente, mas tem que haver muito trabalho, muita meditação e uma forte ligação com o mestre.
Se o estado meditativo, for fruto da meditação, acontecer, é o meditante a primeira pessoa a saber, pois então surge a alegria, uma paz, uma beatitude maior surge.
Quando a meditação alcança a plenitude, fica-se tão em paz, alcança-se a beatitude, a plena sabedoria, tudo faz sentido, nenhum pensamento perturba essa beatitude. A meditação desaparece, deixa de existir o meditante e o objecto de meditação. Sujeito e objecto desaparecem, nenhuma meditação é feita, pois nenhuma é necessária, a técnica de meditação cumpriu o se fim. Levar-nos ao estado meditativo, à contemplação. A técnica de meditação já não funciona, porque já não é necessário fazer esforço, tudo terminou. Pois basicamente a meditação é um esforço, mas necessário para o não esforço surgir. A meditação no início é um descontentamento. Se algum dia estando a meditar surgir o silêncio e te esqueceres da técnica da meditação, e não sentires necessidade dela, mas se te sentires, tão satisfeito, tão em paz, tão feliz como nunca, então isso é sinal que estás a progredir, estás a alcançar o que é suposto alcançar, a meditação está a levar-te ao sítio certo, ou melhor, estás a ser levado pela meditação para o estado puro, isso é sinal de progresso, não precisas de perguntar.
Há muitas pessoas que fazem meditação e não sentem nada, se não a fazem, sentem que ela lhe faz falta, ficam com um vazio.
Muito cuidado com isto, pois assim a meditação está a funcionar como um vício. Como fumar ou beber. Nunca se pode deixar que a meditação seja um vício. A meditação deve ser viva e nova todos os dias. Quando vamos meditar, devemos fazê-lo como se fossemos fazer sempre uma coisa nova, uma coisa viva, devemos partir para ela com muita jovialidade. Pouco a pouco, então, o descontentamento vai desaparecendo, vai deixando de ser um esforço. Uma sensação de contentamento vai chegar. E não só enquanto estivermos a meditar. Se alguma coisa acontece somente quando estamos a meditar, isso faz algum bem, mas não será muito profundo. É somente bom em termos de comparação. Se nada estiver a acontecer, nem meditação, nem momentos de felicidade, de bem-aventurança, não se preocupem com isso. Se porém algo acontecer, é bom não criar uma fixação, pois senão ficamos presos e a meditação não nos leva ao ponto certo. Se a meditação estiver a ser feita correctamente, se for de profundidade, vamos-nos transformando, e a nossa atitude é diferente no Mundo e todo o dia a transformação acontece. Um contentamento subtil estará presente em cada momento. Seja o que for que se esteja a fazer, sentiremos um centro interno calmo, refrescante, felizes.
Claro, haverá resultados. A revolta será cada vez menos e menos possível. Vai desaparecendo aos poucos. Porquê? Porque a revolta e a raiva revelam uma mente não-meditante, uma mente que não se sente bem consigo mesma, que se sente inquieta. Essa é a razão por que a raiva e a revolta são atiradas para os outros. Mas no fundo, estamos é com raiva de nós próprios, e revoltados connosco próprios. É por estarmos com raiva de nós próprios, vamos ficando com raiva dos outros, os outros fazem-nos revoltar, e sentir mal, mas o mal está somente connosco.
Já observaram que ficamos com raiva e revoltados somente das pessoas que vivem muito na nossa intimidade? Quanto maior a intimidade, maior a raiva. Porquê? Quanto maior o vácuo entre nós e a pessoa, menos raiva existe. Nós não ficamos com raiva de um estranho. Ficamos com raiva da mulher, do marido, do filho, da mãe. Porquê?
A razão é somente porque estamos com raiva de nós próprios. Quanto mais íntimo o relacionamento de uma pessoa connosco, mais ela se identificou connosco.
Assim como estamos com raiva de nós próprios e insatisfeitos, assim sempre que alguém se aproxima de nós, ou está intimamente ligado a nós, podemos lançar a nossa raiva e o nosso descontentamento sobre ela. Com a meditação profunda, seremos cada vez mais e mais contentes, satisfeitos e felizes connosco próprios, é preciso lembrar: CONNOSCO PRÓPRIOS.
É quase sempre um milagre, que alguém esteja satisfeito consigo próprio
- Quase todos somos mentes não meditantes – para nós, ou estamos contentes, felizes com alguém, ou com raiva de alguém. Quando alguém se torna mais feliz, mais contente consigo mesmo, verdadeiramente. E quando se está enamorado de si mesmo, é difícil estar zangado, ficar com raiva. Todo o processo se torna um absurdo.
Haverá cada vez menos e menos raiva, mais e mais amor, mais e mais compaixão. Estes serão os sinais – os sinais gerais.
Não se pense, portanto, que o facto de se ter lindas experiencias espirituais na meditação, que só por isso já perdemos o ego, ou a mente está controlada, não! Pensar isso é um erro. É importante ter experiências, mas daí até controlar a mente ou perder o ego, vai uma grande distância. As verdadeiras experiências mudam as pessoas, aquelas experiências que vão profundamente trabalhar o nosso ego, transformam-nos, torna-nos mais felizes e não melancólicos e sisudos. Ser ou estar melancólico, sisudo, ou aparentar santidade, não é sinónimo de progresso, é somente sinónimo de ignorância e apego a experiencias espirituais, que apenas mostram o caminho, e não são o caminho.
A maior experiencia, é aquela que sendo simples, nos transforma todos os dias e para todos os dias, que nos leva ao grande silêncio e de onde trazemos Paz, Amor, Sabedoria, Felicidade e Alegria!
È bom que aconteça experiências espirituais, é mesmo necessário, mas devemos insistir até que aconteçam transformações psicológicas: menos raiva, menos revolta, menos insatisfação, menos descontentamento, mais amor; menos crueldade, mais compaixão.
Modificações do SER, são significativas, portanto não podemos deixar-nos arrastar por algumas fantasias, fantasias espirituais, sim, porque nós temos a tendência para fantasiar coisa, coisas que o não são. O aspecto fantasiado da santidade, o olhar triste, o semblante carregado, são fantasias e por vezes são projecções daquilo que desejaríamos ser e não somos, e como a verdadeira experiência não é nada disso, todos esses disfarces, são obsoletos. Quem tem a verdadeira experiência, sabe que isso é folclore do subconsciente.
É de bom tom, ser bonzinho nas reuniões para ser espiritual, ser sério, e de aparências meigas. Mas o que realmente acontece, é que não havendo modificações básicas, tudo isso é falso! Podem começar a pensar que já são uns grandes Santos, só porque são bonzinhos para os outros, mas em casa são o inferno, obstinados, teimosos e torturam inconscientemente os outros, vão-se auto-punindo, vão tornando-se mártires por conta própria, e sem o saber, estão torturando os que lhe são mais íntimos. Isto é uma forma subtil e refinada de torturar os outros.
Essas coisas não interessam, não são a finalidade da espiritualidade, da meditação.
Observemos o nosso comportamento, aí está uma parte do segredo. Observar o que está acontecendo. Como está o nosso relacionamento com a mulher, filhos, pais e amigos. Há alguma mudança? Essa mudança é significativa? Se não houver mudança, algo está errado. Devemos conquistar outra atitude.
É por isso que um assim chamado homem religioso, começa a sentir-se religioso: porque agora está vendo mais isto e mais aquilo, agora está mais “santinho “. etc. , mas ele permanece o mesmo. Ele até se torna pior.
O progresso espiritual tem que ser observado nos nossos relacionamentos. O relacionamento é o espelho. O relacionamento é o espelho dos nossos progressos. Contemplemos a nossa face nele. Devemos lembrar sempre que o relacionamento é a nossa outra cara. Se a meditação estiver a ser profunda, os relacionamentos vão tornar-se diferentes – totalmente diferentes. O amor será a nota básica do relacionamento. Deixamos de olhar para alguém violentamente como tem acontecido, pois estamos habituados a olhar sempre com violência.
Cada vez que, em meditação conquistarmos algo de significativo, devemos transferir essa experiência para o nosso dia-a-dia, criando assim a possibilidade de sermos mudados por ela. Se obtivermos uma experiência de beatitude numa meditação, devemos fazer com que ela se prolongue por todo o dia, e assim em cada meditação, teremos sempre presente a experiência da meditação anterior, até que a nossa vida seja uma constante experiência, até que a nossa vida seja uma meditação.
Então aí, nós somos autênticos, somos transformados por uma experiência que vem de nós, mas não é nossa!
A nossa vida exterior é então um puro reflexo da vida interior que desponta em nós.
A meditação, não é um objecto que temos à mão quando queremos, assim como um copo, não! Assim não funciona. Meditação é uma transformação interior profunda e muito intensa.
Como nos apercebemos dessa transformação? Os efeitos manifestam-se a cada momento nos nossos actos, nos relacionamentos, na maneira de encararmos a vida.
Estamos a tentar possuir alguém? Estamos violentos e revoltados? Se estamos a dominar ou a possuir alguém, estamos a ser violentos. Como é que se pode fazer isso? O amor não pode dominar ou possuir a ninguém.
Assim, seja o que for que se esteja a fazer, deve-se observar, fazer de cada acto uma meditação perfeitamente consciente. Em cada acto deve estar presente o sabor da última conquista interior. Muito cedo vamos começar a sentir a mudança. Não há mais posse nos relacionamentos. Pouco a pouco a possibilidade desaparece.
E quando a possessibilidade não está mais presente, o relacionamento passa a ter uma beleza própria, toda especial. Quando existe possessibilidade, tudo se torna sujo, feio, desumano. Mas somos de tal forma enganadores, que não olhamos para nós mesmos nos nossos relacionamentos – porque então a nossa verdadeira face pode ser observada. Assim, fechamos os olhos aos nossos relacionamentos e remetemos as nossas experiências espirituais somente para os momentos da meditação e dizemos:”Foi tão bom!!!” e despedi mo-nos delas como se a experiência fosse pertença do tempo ou do local – que mediocridade meu Deus! – Não deixamos que as experiências perfumem os nossos dias, não deixamos que elas interfiram nos nossos relacionamentos, no dia-a-dia, criamos assim uma maior acentuação da nossa já grande dualidade interior e exterior, criamos a cara do meditante e santinho em “part-time” e recolocamos a cara feia de todos os dias, tornando-a até ainda mais falsa e vazia.
Temos que deixar que a meditação invada o nosso “território privado”, a nossa vida totalmente. Como podemos pretender que algo de sublime nos toque, se estamos fechados a tudo e permanecemos os mesmos? Devemos criar condições para que se quebre a barreira do EGO. Sempre que algo é feito para tocar o EGO das pessoas, cai o “CARMO E A TRINDADE”, ainda por cima dizemos com aquele acentuado” sotaque” de ignorantes: “ Estão a ser injustos comigo? NÃO CONCORDO COM ISSO!!! “ que tristeza ! Perde-se assim mais uma oportunidade de estar calado e de ver a figura de parvo e de ignorante que o nosso amado EGO está fazendo! Queremos eliminar o nosso EGO, mas sempre que ele se mostra, aí já não é connosco.
Deixemo-nos destas peças teatrais “ de faca e alguidar” e quebremos mesmo o nosso Ego e será um paraíso para nós.
Antes que conquistemos a mente e o EGO, temos que sentir a nossa transformação internamos nossos relacionamentos externos e então, a experiência vai poder ir mais profundo em nós. Então vamos começar a sentir algo de muito profundo no nosso interior. Mas nós temos uma atitude fixa a respeito de nós mesmos. Nós não queremos olhar dentro dos nossos relacionamentos de forma alguma, porque então surge a face nua.
O nosso relacionamento é o único espelho. Penetremos dentro dos nossos relacionamentos, e verifiquemos neles se a nossa meditação está progredindo ou não.
Se sentirmos um crescente amor, um amor incondicional, se sentimos compaixão sem causa definida, se sentirmos um profundo interesse pela felicidade de cada ser vivo e pelo bem-estar de todos, a nossa meditação está crescendo, progredindo. Esqueçamos então, todas as outras coisas relacionadas connosco mesmos.
Ficaremos mais silenciosos, mais amorosos, menos barulhentos por dentro. Nós devemos ser um canal por onde se manifeste o amor, o silêncio sábio. “ Preocupe- mo-nos “ pois, com a meditação, com a modificação dos nossos relacionamentos, com o nosso silêncio, com essas coisas e o florescimento acontecerá.
Não devemos querer o falso, o facilmente imaginável, pois imaginar é fácil, e criar com a imaginação também é fácil. Devemos querer o autêntico, aquele que corre dentro.
Leva tempo para que uma flor real floresça no nosso jardim. Exige paciência, esforço, e além disso nada é certo. A flor poderá mostrar suas pétalas, como também poderá não florir. É fácil comprar ou pedir emprestada uma rosa, mas então ela não é a nossa rosa. Parece que ela veio do nosso jardim, mas não foi lá que ela cresceu, floresceu. Quando compramos uma flor, ela não tem raízes dentro de nós; está apenas na nossa mão. Não foi uma partícula do nosso ser. Nunca tivemos que esperar para que ela florescesse, não a regamos todos os dias, não precisamos ser pacientes. Não veio de nós. Nós a compramos. Ela está aí, mas como um elemento estranho em nós, não um crescimento de dentro.
Mas há pessoas ainda mais espertas. Compram uma flor artificial, porque dura mais. Uma flor verdadeira murcha. Ao fim do dia ela já não existe. Portanto: compram uma artificial! É mais económico, menos trabalhoso, dura mais!
Mas, estão-se enganando a si próprios. O crescimento verdadeiro necessita de tempo, paciência, trabalho.
Crescimento imaginativo é imitação!
Não pensemos que o que fizermos agora somente virá no futuro, não! Se o que estivermos a fazer for real, verdadeiro, com todo o ser, os resultados aparecem aqui agora. No trabalho interno, se meditarmos hoje, os resultados não vão vir somente no futuro, amanhã. Se meditamos hoje, o perfume da nossa meditação, por menor que seja, estará presente.
Sempre que algo real, verdadeiro for feito, afecta-nos aqui e agora.
Se não nos modificarmos agora, não pensemos que será no futuro, isso é uma ilusão! Para a sabedoria surgir, é preciso também, que sejamos sensíveis.
Se estivermos atentos, e formos sensíveis, algo vai mudar, e todos nós somos sensíveis, pois se o não fossemos estaríamos mortos.
Que o amor seja a tónica da nossa vida!
Muito Amor para todos.
Um abraço
maria